A Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça (APMA) prepara um plano estratégico para combater a falta de água na região Oeste e melhorar a capacidade de armazenamento e distribuição deste recurso, numa altura em que a escassez de água se afirmava como uma das principais preocupações para a agricultura e para as comunidades locais.
O projeto, integrado num programa estratégico da associação para o período 2025-2030, prevê um conjunto de seis medidas e vai ser apresentado às associações de municípios e às restantes entidades oficiais, com o objetivo de promover uma estratégia regional para a gestão da água.
Uma das principais propostas passa pela criação de novos reservatórios de água, tendo a associação identificado 13 possíveis localizações para estruturas de maior dimensão, que podem permitir armazenar água durante os períodos de maior disponibilidade e utilizá-la posteriormente durante o verão.
Durante uma visita ao Ecopemar do Vimeiro, o presidente da APMA, Jorge Soares, defendeu que a região precisava de deixar de desperdiçar a água disponível durante o inverno e criar condições para a armazenar.
“Temos um programa e um projeto que estamos a desenvolver e que vamos entregar brevemente à Associação de Municípios e às entidades que aqui estão, para que, de facto, transformemos a nossa região na região mais rica em água”, afirmou.
Para Jorge Soares, uma parte da água que atualmente escoa para o mar durante o inverno poderia ser aproveitada para reforçar as reservas da região, contribuindo simultaneamente para reduzir os riscos associados a episódios de chuva intensa.
“Tirar 5% da água que vai no inverno ao mar pode, ainda por cima, reduzir danos de cheias e danos nas zonas ribeirinhas. Para isso é preciso reservar e retardar a descida”, explicou.
A proposta da APMA assenta, assim, numa estratégia de retenção e armazenamento de água, procurando garantir uma maior disponibilidade durante os meses de verão, quando a pressão sobre os recursos hídricos aumentava.
Segundo o responsável, os futuros reservatórios poderiam ter uma utilização diversificada, não ficando exclusivamente destinados à agricultura.
“Queremos fazer e vamos oferecer ao Oeste um estudo com 13 localizações para 13 reservatórios de maior dimensão, onde se possa receber água e armazenar, para no verão todos podermos usar, incluindo a natureza e a biodiversidade, incluindo o consumo humano”, afirmou.
A associação alertou para a falta de infraestruturas de armazenamento de água no território do Oeste.
De acordo com Jorge Soares, dos 14 municípios que integram a região, apenas três dispõem reservatórios com capacidade significativa ou vocacionados para o armazenamento de água.
“Em todo o Oeste, que somos 14 municípios, só há três reservatórios”, afirmou o responsável.
Um desses equipamentos, localizado em Peniche, é utilizado para abastecimento de água destinada ao consumo humano. Óbidos dispõe um reservatório com uma dimensão considerada significativa, enquanto outro equipamento existente em Caldas da Rainha, com cerca de duas décadas, aguarda a entrega à comunidade.
“Depois há mais 11 municípios do Oeste que não têm nenhum reservatório de água”, salientou Jorge Soares.
Perante este cenário, a APMA pretende disponibilizar um estudo que identifique a localização mais adequada para a instalação de um reservatório de maior dimensão em cada um desses municípios.
“Nós queremos oferecer a localização, a melhor localização no Oeste, para um reservatório de maior dimensão em cada município”, explicou.
O estudo de localização e de macrolocalização dos equipamentos será desenvolvido pela própria Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça. A concretização das estruturas depende, contudo, da intervenção das entidades públicas responsáveis pelo planeamento e gestão dos recursos hídricos.
“O projeto de estudo e de localização e de macrolocalização é nosso. Esperamos que o poder político local, regional e nacional faça o seu papel”, afirmou Jorge Soares.
A associação pretende também levar a proposta ao Governo, nomeadamente ao Ministério da Agricultura, integrando esta matéria num pacote mais abrangente de medidas destinadas a preparar o futuro da região.
A questão da água faz parte de um programa mais amplo da APMA, designado Programa 2025-2030, que procura promover a sustentabilidade da produção agrícola e a valorização ambiental do território.
Além do armazenamento de água, o plano contempla medidas relacionadas com biodiversidade, serviços de natureza e serviços de ecossistema, procurando reconhecer o papel desempenhado pelos espaços agrícolas e naturais na proteção do território.
“Aqui, mais do que se produzirem maçãs, produzem-se serviços de ecossistema. Nós queremos, de facto, fazer mais”, defendeu o presidente da associação.
A APMA considera que a agricultura pode desempenhar um papel importante na preservação da paisagem, na proteção dos solos e na manutenção da biodiversidade, desde que fossem criadas condições para garantir a sustentabilidade da atividade.
Para os produtores de maçã, a disponibilidade de água assume-se como uma questão estratégica para o futuro do Oeste, não apenas para a agricultura, mas também para o consumo humano, para a natureza e para a economia regional.
“Queremos que o Oeste prometa às gerações que vêm condições. E a água é fator limitante, e a desertificação dos solos é fator limitante”, sublinhou Jorge Soares.
A Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça prepara-se, assim, para apresentar às entidades oficiais um conjunto de propostas que pretende colocar a gestão da água no centro da estratégia de desenvolvimento do Oeste.
A criação de novos reservatórios surgia como uma das medidas consideradas prioritárias, numa região onde os produtores defendem que é necessário armazenar mais água no inverno para garantir maior segurança durante o verão, reduzindo simultaneamente os impactos de períodos de seca e contribuindo para uma gestão mais sustentável dos recursos naturais







