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Estrada Nacional 8-2 terá um custo estimado de 6 milhões de euros. Município da Lourinhã investirá 1 milhão de euros nas estradas da responsabilidade da autarquia

A reconstrução da Estrada Nacional 8-2, no troço do Casal Lourim, deverá representar um
investimento estimado em cerca de seis milhões de euros. A informação foi confirmada ao Município da Lourinhã na reunião de acompanhamento realizada com a Infraestruturas de Portugal, no passado dia 13 de julho, marcando uma nova etapa no processo de recuperação da principal porta de entrada via sul do concelho.

O projeto de execução encontra-se concluído e já foi entregue à Câmara Municipal, aguardando agora a aprovação da Infraestruturas de Portugal para compatibilização com a empreitada de instalação da rede de saneamento e de abastecimento de água que a autarquia pretende executar no mesmo corredor. Em paralelo, o Município vai investir cerca de um milhão de euros na beneficiação das estradas sob a sua responsabilidade,
reforçando a resposta ao aumento de tráfego provocado pelo encerramento da EN 8-2.

O ponto de situação foi apresentado esta sexta-feira, durante uma conferência de imprensa promovida
pela Câmara Municipal da Lourinhã, na qual o Executivo fez o balanço dos últimos seis meses de trabalho
desenvolvido na sequência das intempéries que, no final de janeiro, provocaram a derrocada da plataforma
rodoviária no Casal Lourim.

Na intervenção da sessão, o Presidente da Câmara Municipal, Orlando Carvalho, sublinhou que “a resposta
da autarquia nunca se limitou à gestão da emergência”. Desde o primeiro momento, afirmou, “o objetivo
passou por garantir a segurança das populações, assegurar alternativas de circulação e desenvolver uma
ação política e institucional permanente junto do Governo e da Infraestruturas de Portugal para acelerar a
reconstrução de uma infraestrutura estratégica para o concelho”.

Até ao encerramento da via, a 28 de janeiro, circulavam diariamente cerca de 12 mil veículos naquele troço
da EN 8-2, principal acesso via sul ao concelho da Lourinhã. O corte da estrada continua a condicionar
diariamente milhares de cidadãos, empresas, trabalhadores e visitantes, com impactos diretos na
mobilidade, na atividade económica e no setor turístico.

O Executivo recordou igualmente que a atuação municipal começou ainda antes da ocorrência da
derrocada, com a ativação do Plano Municipal de Emergência, a mobilização dos serviços municipais e da
Proteção Civil e a instalação de um dispositivo permanente de coordenação operacional.

“Durante quase um mês de situação de emergência, a Câmara assegurou a abertura e manutenção de
percursos alternativos, reforçou a conservação das vias municipais utilizadas como desvios e realizou
diversas intervenções urgentes para garantir condições mínimas de circulação”.

Ao longo dos últimos meses sucederam-se reuniões com o Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz,
com o Conselho de Administração da Infraestruturas de Portugal e com os responsáveis máximos daquela
entidade. Desses encontros resultou o reconhecimento da EN 8-2 como uma das obras de reconstrução
mais prioritárias do país na sequência das intempéries, ficando igualmente estabelecido que apenas uma
reconstrução estrutural permitirá resolver definitivamente o problema.

Foi precisamente na última reunião de acompanhamento realizada a 13 de julho que a Infraestruturas de
Portugal informou o Município de que o projeto de execução se encontra concluído e que a empreitada
terá um custo estimado de cerca de seis milhões de euros.

A fase seguinte passa agora pela aprovação do projeto e pela articulação entre a intervenção da
Infraestruturas de Portugal e a instalação das redes de saneamento e de abastecimento de água previstas
pela Câmara Municipal, permitindo que ambas as obras avancem em simultâneo, evitando futuras
escavações, reduzindo custos e minimizando os constrangimentos para a população. A Infraestruturas de
Portugal adiantou ainda que a empreitada terá início após a contratação da empresa responsável pela
execução dos trabalhos, mantendo-se uma duração estimada de cerca de seis meses para a intervenção.

Durante a conferência de imprensa foi igualmente revelado que, desde as primeiras semanas após a
derrocada, o Município procurou assumir um papel ainda mais ativo na resolução do problema. A 26 de
março, a Câmara Municipal propôs à Infraestruturas de Portugal a celebração de um protocolo que
permitiria à autarquia substituir-se àquela entidade na execução da empreitada de reconstrução da EN 8-
2, procurando reduzir o tempo de resposta e acelerar a reposição da circulação. A proposta acabou por
não ser aceite, tendo a Infraestruturas de Portugal fundamentado essa decisão na elevada complexidade
técnica dos estudos geotécnicos e da intervenção estrutural necessária para garantir a estabilidade
definitiva da encosta.

O Executivo revelou igualmente que, nas reuniões realizadas com o Ministro das Infraestruturas e com a
Infraestruturas de Portugal, foi equacionada a instalação de uma ponte militar como solução temporária
para restabelecer a circulação. Contudo, essa hipótese foi considerada tecnicamente inviável, uma vez que
a extensão da derrocada ultrapassa os 40 metros, limite máximo permitido para este tipo de estrutura.
Enquanto aguarda o arranque da obra da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, a Câmara
Municipal decidiu avançar com um plano extraordinário de investimento na rede viária municipal. No
total, serão aplicados cerca de um milhão de euros na beneficiação das estradas particularmente afetadas
pelo aumento do tráfego resultante dos desvios impostos pelo encerramento da EN 8-2.

Neste âmbito, ficou concluído esta sexta-feira o asfaltamento da Rua da Bica, uma intervenção
extraordinária de 342 mil euros, integralmente suportada pelo Município e não prevista no Orçamento
Municipal de 2026. A obra transformou aquele arruamento numa alternativa à EN 8-2 para veículos ligeiros
nos dois sentidos de circulação, reforçando a segurança rodoviária e melhorando a fluidez do trânsito. Já na
próxima semana arrancarão novas empreitadas na Rua 1.º de Janeiro, entre a Marteleira e o Perdigão, e na
Rua Dom Sancho, nas Matas, dando continuidade ao plano municipal de recuperação da rede viária.

O Município anunciou ainda que irá solicitar à Infraestruturas de Portugal apoio financeiro para as
intervenções extraordinárias realizadas nas vias municipais que passaram a funcionar como alternativas à
EN 8-2, nomeadamente a Rua da Bica, a Rua 1.º de Janeiro e a Rua Dom Sancho. O objetivo passa por
obter uma comparticipação nos encargos suportados pela autarquia em consequência direta do
encerramento da estrada nacional.

Durante a conferência de imprensa foi ainda recordado que a defesa desta intervenção não se esgotou nas
reuniões institucionais. O Município manteve uma pressão permanente junto do Governo e da
Infraestruturas de Portugal e voltou a levar o tema à Assembleia da República, através do deputado Marco
Claudino, reforçando a urgência da reconstrução da EN 8-2 e a necessidade de acelerar todos os
procedimentos administrativos e técnicos indispensáveis ao lançamento da empreitada.

A conferência de imprensa foi presidida pelo Presidente da Câmara Municipal da Lourinhã, Orlando
Carvalho, acompanhado pelo Vice-Presidente, António Gomes, e pela Vereadora Liliana Delgado. A sessão
contou igualmente com a presença dos Vereadores do Partido Socialista Brian Silva e Pedro Margarido. O Vereador João Serra não pôde estar presente por motivos profissionais. Esteve ainda presente o Vereador
Paulo Sousa, eleito pelo Chega.

Marcaram igualmente presença representantes da Agência Lusa, do Jornal Alvorada e da Rádio Clube da
Lourinhã.

No encerramento da sessão, Orlando Carvalho deixou uma mensagem de confiança dirigida à população,
reafirmando que a Câmara Municipal continuará a acompanhar diariamente este processo, a exigir o
cumprimento dos compromissos assumidos pelas entidades competentes e a investir recursos próprios
sempre que isso permita minimizar os impactos provocados pelo encerramento da principal via de acesso
ao concelho.

“Nunca cruzámos os braços. Desde o primeiro dia estivemos no terreno, junto das populações, a
encontrar soluções, a mobilizar recursos e a exigir respostas. Continuaremos a fazer tudo o que estiver ao
nosso alcance para que a EN 8-2 seja reconstruída o mais rapidamente possível, porque defender esta
obra é defender a mobilidade, a economia e a qualidade de vida de todos os lourinhanenses.”

Fonte: Municipio da Lourinhã

Foto: Jornal Expresso

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