Sinfonia da Ressurreição de Mahler reflete a adesão do público à atual
edição e o compromisso do Cistermúsica com as novas gerações de
intérpretes.
O encerramento da 34.ª edição promete ser um dos maiores momentos do Festival:
mais de 200 músicos em palco e uma plateia de cerca de 400 espectadores para um
concerto que esgotou com grande antecedência.
E não é por acaso que o Festival se despede com Mahler. Depois de ter apresentado as
Sinfonias n.º 5 e n.º 6 ao longo da temporada Cistermúsica, a escolha da Sinfonia da
Ressurreição constitui o desfecho natural de um percurso artístico que encontrou na
obra do compositor austríaco uma das expressões mais profundas da ideia de
transformação e renascimento que inspirou esta 34.ª edição.
Se a “Ressurreição” de Mahler encerra simbolicamente o percurso artístico do Festival,
a presença da Alto Minho Youth Orchestra projeta-o para o futuro. Reunindo jovens
músicos de diferentes nacionalidades, orientados por alguns dos mais prestigiados
intérpretes e maestros da atualidade, esta formação traduz também o compromisso do
Cistermúsica com a renovação geracional da música clássica. Sob a direção de Miguel
Sepúlveda, um dos mais promissores maestros portugueses da sua geração, o concerto
ganha ainda uma dimensão de afirmação de novos talentos.
Uma edição que foi muito para lá de Alcobaça… e dos concertos
Ao longo de 55 espetáculos, o Cistermúsica voltou a afirmar o crescimento sustentado
da sua programação, com uma forte adesão do público e uma proposta artística que
este ano ultrapassou os limites do formato tradicional de festival.
A música continuou a ser o eixo central da programação, mas a experiência
Cistermúsica alargou-se a novas linguagens e formas de encontro com o público.
Entre as novidades da 34.ª edição destacou-se o Cistermúsica Cinema, um ciclo de sessões de cinema ao ar livre, no Mosteiro, que encerra esta quinta-feira com a exibiçãode Siga a Banda! (2024) de Emmanuel Courcol.
A dimensão formativa e de criação artística voltou igualmente a assumir um papel
relevante através da residência artística do MAAT Saxophone Quartet, que durante uma
semana reuniu em Alcobaça dois quartetos de saxofones, o Focus Sax Quartet (Évora) e
o Lúmen Quartet (Porto), bem como alunos da Academia de Música de Alcobaça,
promovendo um espaço de partilha e desenvolvimento artístico.
O Festival reforçou também a sua dimensão de reflexão e pensamento crítico com
quatro Conversas Cistermúsica, no Armazém das Artes, que reuniram músicos,
investigadores e programadores em torno de alguns dos temas que atravessaram a
programação desta edição.
A dimensão territorial do Cistermúsica voltou igualmente a afirmar-se para lá de
Alcobaça, reforçando a ligação às históricas terras de Cister. Ao consolidado Ciclo de
Concertos em Meio Natural, em Porto de Mós, somou-se o regresso ao concelho da
Nazaré, desta vez com um concerto em Famalicão, numa estratégia de aproximação da
música erudita a novos públicos e de valorização de um património cultural comum.
Organizado pela ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes, o Festival de Música de
Alcobaça conta com o apoio da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI, e da
República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes. É realizado em parceria
estratégica com o Município de Alcobaça e com a parceria institucional da Museus e
Monumentos de Portugal, EPE /Mosteiro de Alcobaça.
Fonte: Cistermúsica









