Este inverno tem tido um forte impacto na orla costeira das Caldas da Rainha e, em
particular na Lagoa de Óbidos, com o deslocamento significativo da Aberta para norte e
uma considerável redução do areal da praia da Foz do Arelho.
A atual abertura da Lagoa de Óbidos ao mar está localizada a escassos metros dos
campos desportivos e da Avenida do Mar, prevendo-se, nos próximos dias, uma
intensificação do risco para pessoas e bens com o agravamento das condições
meteorológicas e de agitação marítima associadas à passagem da depressão Ingrid.
Apesar de ciente de que este posicionamento pode reverter-se a curto prazo, com uma
eventual migração da “Aberta” para sul, quando as condições meteorológicas e as
correntes marítimas se tornarem mais favoráveis, o município encara com bastante
apreensão a situação atual.
Como tal, informa-se que o executivo municipal encetou as devidas diligências
junto das autoridades competentes, designadamente, a Agência Portuguesa do
Ambiente (APA) e a Capitania do Porto de Peniche, estando igualmente em
contacto com a Águas do Tejo Atlântico, S.A e com o Município de Óbidos.
A pedido da Câmara Municipal, a APA enviou uma equipa ao terreno para uma
avaliação mais detalhada da situação, estando a evolução a ser acompanhada em
permanência por esta entidade, bem como pela Junta de Freguesia da Foz do Arelho,
pelo Serviço Municipal de Proteção Civil das Caldas da Rainha e pelos técnicos da
Águas do Tejo Atlântico.
A Câmara Municipal das Caldas da Rainha apela à população para que se
mantenha longe da linha de costa durante os próximos dias, em especial da Praia
da Foz do Arelho, dado o expectável agravamento do estado do tempo, a
intensificação da agitação marítima e a subida do nível do mar.
Informações adicionais:
As lagoas costeiras com ligação direta ao Oceano são ecossistemas naturais frágeis e
altamente dinâmicos, cuja estabilidade depende do equilíbrio entre o aporte sedimentar,
a energia das ondas, as correntes litorais e os caudais fluviais.
Em muitos casos, a abertura ao mar tende a fechar-se naturalmente devido à deposição
de sedimentos, comprometendo a renovação da água, a qualidade dos habitats, a
conservação das espécies e as atividades económicas dependentes do bom estado
ecológico do ecossistema, como a pesca, a mariscagem e o turismo. Por esse motivo,
torna-se frequentemente necessária intervenção mecânica para garantir e manter essa
comunicação com o mar.
Além no processo natural de fecho, é igualmente bastante comum que os dinâmicos
processos sedimentares e hidrológicos que decorrem nestes ecossistemas condicionem a
posição da abertura: esta não é fixa, podendo deslocar-se, ao longo do tempo, em função
do hidrodinamismo costeiro e das correntes dominantes. Esta situação é bastante
comum na Lagoa de Óbidos, onde o posicionamento da “Aberta” vai migrando mais
para norte ou mais para sul, sobretudo no inverno, num processo dinâmico que não
depende de intervenção humana.
No entanto, não raramente, as migrações da “Aberta” podem intensificar processos de
erosão das margens norte ou sul da Lagoa de Óbidos, colocando em risco
infraestruturas, vias de comunicação e habitações próximas, e acarretando investimentos
avultados para a sua mitigação.
A gestão da Lagoa exige, por isso, um acompanhamento técnico contínuo e soluções
adaptativas que conciliem a dinâmica natural do sistema com a segurança das
populações e a proteção do território.









