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Município da Batalha decide não prosseguir com a concessão de exploração das Termas Salgadas da Batalha

Executivo municipal deliberou o abandono voluntário da concessão HM-65, mantendo o recurso hidromineral preservado e preparando o projeto para uma futura recandidatura em melhores condições

Câmara Municipal da Batalha deliberou, na reunião ordinária de 4 de maio de 2026, pelo abandono voluntário da concessão de exploração da água mineral natural das Termas Salgadas da Batalha, com o número de cadastro HM-65, ao abrigo do artigo 12.º do contrato de concessão celebrado com o Estado Português em 17 de setembro de 2009.

CONTEXTO — O que é a concessão HM-65

As Termas Salgadas da Batalha são um recurso hidromineral localizado na Quinta do Pinheiro, nas Brancas, a 1,5 km da Vila da Batalha. A água mineral natural emerge na Nascente das Brancas, com características salinas únicas originadas por uma estrutura geológica diapírica.

Em setembro de 2009, o Município da Batalha celebrou com o Estado Português um contrato de concessão de exploração deste recurso por um período de 50 anos. O contrato estabelecia um conjunto de obrigações que a autarquia se comprometia a cumprir em prazos definidos.

Um processo de 17 anos sem exploração efetiva

Desde a assinatura do contrato em 2009, o Município da Batalha não logrou cumprir as principais obrigações contratuais que condicionavam o início da exploração das termas. Ao longo de 17 anos — dos quais 12 com contrato de concessão ativo — apenas foram concluídas duas das oito obrigações estabelecidas no artigo 6.º do contrato e das suas adendas.

Estado de cumprimento das 8 obrigações contratuais

N.ºObrigação contratualPrazoEstadoObservações
1Nova prospeção e nova captação definitiva03.05.2023NÃO CUMPRIDA3 anos em atraso
2Estudo médico-hidrológico03.05.2024NÃO CUMPRIDA2 anos em atraso
3Projeto de construção do estabelecimento termal03.11.2022PARCIALMENTEProjetos de 2010/2014 não atualizados
4Proposta de Perímetro de Proteção03.05.2023CUMPRIDAAviso DGEG publicado maio 2024
5Aprovação do Plano de Exploração03.05.2023NÃO CUMPRIDA3 anos em atraso
6Início da exploração do recurso03.05.2024NÃO CUMPRIDA2 anos em atraso
7Executar trabalhos conforme plano aprovadoContínuaNÃO APLICÁVELDependente da obrigação 5
8Análises físico-químicas e bacteriológicasAnualCUMPRIDAEm curso regularmente

Fonte: Contrato de concessão HM-65 e 2.ª Adenda de 03.05.2021 | DGEG

O contrato foi objeto de duas adendas — a primeira em fevereiro de 2013 e a segunda em maio de 2021 — que sucessivamente alargaram os prazos para cumprimento das obrigações. Em ambas as ocasiões, a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) demonstrou disponibilidade para negociar, na expectativa de que a autarquia reunisse condições para avançar com o projeto. Essa expectativa nunca se concretizou ao nível das obrigações essenciais.

A partir de novembro de 2025, a DGEG iniciou um procedimento formal de incumprimento, emitindo quatro ofícios consecutivos a notificar o Município para apresentar evidências das diligências realizadas e fundamentar a continuidade da concessão, sob pena de rescisão por iniciativa do Estado. No último desses ofícios, de março de 2026, a DGEG fixou um prazo de 15 dias para resposta definitiva.

O que custaria prosseguir com a concessão — referências reais de mercado Para cumprir apenas as duas obrigações imediatas em incumprimento — uma nova sondagem de prospeção e a realização do Estudo Médico-Hidrológico —, o Município teria de comprometer, nos próximos meses, entre 375.000 € e 545.000 €, antes de qualquer obra de construção. Esta estimativa baseia-se em contratos públicos reais, adjudicados e disponíveis no Portal Base (base.gov.pt): o Município de Amarante pagou 405.234,47 € em três contratos adjudicados entre 2017 e 2019 apenas para a gestão do balneário provisório e a realização do Estudo Médico-Hidrológico das Termas de Amarante — a empresa adjudicatária foi a PROTERMAS — Gestão e Exploração de Termas, Lda. O investimento total para a construção e equipamento do estabelecimento termal seria estimado entre 1.435.000 € e 6.400.000 €, dependendo da opção escolhida — sem contar com quaisquer fundos europeus. Para a continuidade da concessão ser viável, seria ainda indispensável identificar um parceiro privado com experiência em gestão termal, comprometer um protocolo de financiamento e apresentar à DGEG um cronograma de execução juridicamente vinculativo.

A decisão do executivo municipal

Face à análise da situação contratual, ao historial de incumprimento e às exigências financeiras e técnicas que a continuidade da concessão implicaria num prazo muito curto, o executivo municipal deliberou pelo abandono voluntário da concessão HM-65, ao abrigo do artigo 12.º do contrato.

Esta modalidade — rescisão por iniciativa do concessionário — foi escolhida por permitir ao Município controlar o processo de saída, preservar a relação institucional com a DGEG e salvaguardar a possibilidade de uma futura recandidatura à concessão em condições mais robustas.

O abandono da concessão não significa o abandono do projeto

A deliberação do executivo inclui um conjunto de medidas que preservam o ativo e mantêm o projeto das Termas Salgadas no horizonte estratégico do Município:

→ Manutenção e monitorização do furo SL4 — o ativo técnico central do recurso, que permanece na esfera do Município;

→ Dotação anual de 6.500 € para preservação e monitorização do furo e da área envolvente;

→ Elaboração de um estudo de viabilidade económica atualizado e de um modelo de parceria público-privada (PPP) para futura recandidatura, com dotação de 45.000 €;

→ Prospeção ativa de parceiros privados com experiência em gestão de estabelecimentos termais.

O executivo municipal manifesta a intenção estratégica de retomar a concessão das Termas Salgadas da Batalha logo que reunidas as condições técnicas e financeiras necessárias para garantir a sua execução efetiva.

O potencial do recurso permanece intacto

O recurso hidromineral das Termas Salgadas da Batalha tem características únicas no panorama termal nacional, com propriedades salinas associadas a uma estrutura geológica diapírica de origem mesozoica. A localização, a 1,5 km da Vila da Batalha — sede de um Monumento Nacional inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO —, constitui um fator diferenciador de enorme valor para o turismo de saúde.

O mercado termal português registou crescimento consistente na última década, com o segmento de wellness e termalismo de bem-estar a apresentar expansão assinalável. A ausência de concorrência termal direta num raio de 30 km em torno da Batalha reforça o potencial diferenciador do projeto.

Numa perspetiva de exploração matura, estudos técnicos realizados no âmbito do processo de análise estratégica indicam uma receita bruta anual potencial entre 250.000 € e 556.000 €, com criação de 12 a 22 postos de trabalho diretos e um impacto económico regional estimado de duas a três vezes superior, por via do efeito multiplicador no turismo e hotelaria.

Ficha técnica da concessão HM-65

DenominaçãoTermas Salgadas da Batalha
CadastroHM-65
LocalizaçãoQuinta do Pinheiro, Brancas — Batalha / Porto de Mós, Leiria
Área da concessão84,68 hectares
Data do contrato17 de setembro de 2009
Prazo original50 anos (até 2059)
Adendas celebradas1.ª: 01.02.2013 | 2.ª: 03.05.2021
Obrigações cumpridas2 de 8 (obrigações 4 e 8)
Obrigações incumpridas4 de 8 (obrigações 1, 2, 5 e 6)
Decisão do executivoAbandono voluntário (art.º 12.º do contrato) — reunião de 04.05.2026
Modalidade de saídaRescisão por iniciativa do concessionário — prazo mínimo de 3 meses para a DGEG
Custo de manutenção futura6.500 €/ano (monitorização furo SL4) + 45.000 € (estudos para recandidatura)

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