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Marinha Grande – Ponto da situação dos estragos provocados pela tempestade Kristin

Quase quatro semanas depois da tempestade Kristin, o Município da Marinha Grande apresenta o balanço das operações de emergência, apoio à população e avaliação de danos, na sequência de um dos eventos meteorológicos mais destrutivos de que há registo no concelho. 

A dimensão dos impactos deixou o território sem energia elétrica, abastecimento de água e comunicações, obrigando à ativação imediata do Plano Municipal de Emergência e à mobilização intensiva de todos os serviços municipais e agentes de proteção civil.

A 28 de janeiro, o concelho ficou totalmente isolado, levando à ativação das operações de avaliação e reabertura de acessos prioritários. No dia seguinte foi instalada a Sala de Crise, assegurando coordenação operacional permanente entre serviços municipais, proteção civil, forças de segurança, forças armadas e outras entidades envolvidas. 

No total, 32 entidades colaboraram diretamente nas operações de socorro, limpeza, estabilização, apoio social e logística.

A tempestade provocou danos extensivos em infraestruturas públicas e privadas, equipamentos educativos, desportivos e culturais, bem como no tecido empresarial, estimando-se que 90% das empresas tenham sido afetadas. Cerca de 2.000 pedidos foram registados no balcão de apoio criado para avaliação de estragos. 

A falta de energia foi um dos problemas mais graves: localidades como Pilado, Escoura, Garcia, Praia da Vieira e Vieira de Leiria permaneceram vários dias sem abastecimento. No pico da crise, mais de 5.964 clientes estavam afetados. Para reforçar a estabilidade da rede, foi executada uma nova linha subterrânea de 1,6 km.

Foram ativadas duas Zonas de Concentração e Apoio à População, ambas já desativadas, e distribuídas refeições e bens essenciais a famílias e operacionais. 

Entre as ações destacam‑se:

• 18183 cabazes de bens essenciais distribuídos;

• 7680 senhas para levantamento de materiais de construção;

• Cerca de 150 almoços + 200 jantares diários para famílias afetadas;

• 300 almoços + 130 jantares para operacionais, voluntários e forças de apoio.

Impacto no sistema educativo e equipamentos municipais

A rede escolar sofreu danos significativos, obrigando ao encerramento de dezenas de estabelecimentos. A reabertura foi feita por fases, com 29 escolas intervencionadas. 

Equipamentos culturais como o Museu do Vidro, Casa-Museu Afonso Lopes Vieira e Museu Joaquim Correia permanecem encerrados.

Meios mobilizados

A resposta no terreno envolveu:

• 52 militares do Exército;

• 60 fuzileiros da Armada;

• 190 agentes da PSP destacados para reforço regional;

• 22 elementos da GNR;

• Equipas municipais e voluntários de todo o país;

• Apoio de vários municípios e juntas de freguesia.

Estimativa de danos: 118 milhões de euros

O levantamento preliminar realizado pelos serviços municipais aponta para danos superiores a 118 milhões de euros, distribuídos da seguinte forma:

• Edifícios municipais: +20 M€

• Estabelecimentos escolares: 28 M€

• Equipamentos culturais: +3 M€

• Habitação social: 30,45 M€

• Instalações desportivas: +10 M€

• Parques urbanos: +6 M€

• Sinalização vertical: 500 mil €

• Pavimentos em calçada: 350 mil €

• Semáforos: 200 mil €

• Passadiços e ciclovias: 3 M€

• Drenagem pluvial e residual: 10 M€

• Tecido associativo: 8 M€ 

Vários dos danos mais graves permanecem ainda em avaliação técnica, nomeadamente os registados na Casa-Museu Afonso Lopes Vieira e no património da antiga FEIS.

Medidas excecionais

O Município decidiu cancelar as Festas da Cidade 2026, garantindo que recursos humanos e financeiros permanecem integralmente dedicados à recuperação. Foram também criados novos modelos de atendimento para entrega de materiais de construção e para gestão de donativos.

Concluída a fase crítica, a autarquia está agora focada na recuperação estrutural, no apoio à retoma económica e na reabilitação integral dos serviços e equipamentos afetados, preparando o enquadramento dos prejuízos em mecanismos de apoio do Estado.

MARINHA GRANDE INVESTE MAIS DE MEIO MILHÃO DE EUROS PARA REABERTURA DAS ESCOLAS APÓS A TEMPESTADE

O Município da Marinha Grande investiu mais de meio milhão de euros para assegurar, em tempo recorde, as condições necessárias à reabertura das escolas afetadas pela tempestade Kristin.

Dos valores já apurados, foram investidos mais de 500 mil euros na aquisição de monoblocos para salas de aula e na realização de intervenções urgentes para reposição funcional de edifícios e vedação de recintos.

Segundo o presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Paulo Vicente, “este esforço financeiro e logístico foi absolutamente necessário para garantir que as nossas crianças e jovens regressassem às salas de aula o mais rapidamente possível. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para repor condições mínimas de funcionamento, num contexto de enorme adversidade.”

Para responder ao impacto imediato, a Câmara Municipal adquiriu e instalou monoblocos com condições adequadas para funcionar como salas de aula temporárias, no recinto da Escola José Loureiro Botas. Nestes espaços estão já instaladas cinco turmas, e mais quatro serão transferidas no decorrer desta semana, atualmente a ter aulas em espaços improvisados como bibliotecas, a Junta de Freguesia e a Igreja Matriz da Vieira de Leiria.

Durante a visita realizada ontem, 23 de fevereiro, a escolas de Vieira de Leiria, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, anunciou que o Ministério irá rever a rede escolar das zonas mais atingidas pela tempestade, articulando com as autarquias novas soluções estruturais.

“Não queremos apenas voltar a colocar as coberturas que são, obviamente, uma urgência para preservar os equipamentos e os edifícios”, referiu o ministro. Fernando Alexandre destacou ainda que “o financiamento já previsto para obras em várias escolas será reavaliado para acelerar intervenções estruturais e adaptar a rede escolar às alterações demográficas e a novos critérios de resiliência”.

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