Estiveram presentes na cerimónia de homenagem a Humberto Delgado cerca de uma dúzia de cidadãs e cidadãos nacionais, entre os quais:- Paulo Mateus, anterior presidente da Junta de Freguesia de Cela (Nova) e actual vereador da Câmara Municipal de Alcobaça, que compareceu em representação do presidente da mesma Câmara Municipal, Hermínio Rodrigues, que não pôde comparecer por motivos de força maior;- Armando Marques Simões, um dos membros da comissão que dinamizou a construção do Monumento ao General Humberto Delgado, da autoria do Mestre Escultor José Aurélio, inaugurado em 22 de Julho de 1976;- O autor e promotor desta inciativa, um filho da terra, aqui conhecido por “Paulo Quim”, nome pelo qual deseja ser tratado no âmbito da presente iniciativa, tal como de outras que tenciona levar a cabo no futuro juntamente com todas as mulheres e homens de boa vontade. Iniciativas estas destinadas não só a perpetuar a memória do General Sem Medo, como também a assegurar o desenvolvimento da Cela Velha.
A cerimónia consistiu numa singela e sentida homenagem ao General Sem Medo, nomeadamente através do seguinte:- A deposição de uma coroa de flores junto do Monumento ao General Humberto Delgado, efectuada por Alberto Fróis, de 88 anos de idade, residente em Cela Velha e que conheceu pessoalmente o general, o qual usou da palavra por breves instantes e respondeu a perguntas, tendo designadamente dito que o seu propósito em comparecer na cerimónia foi o de prestar homenagem a um grande homem;- O uso da palavra por Paulo Mateus, que se dirigiu aos presentes, não tanto em razão das funções autárquicas que actualmente desempenha, mas como “celense”, como o mesmo expressa e orgulhosamente anunciou;- A resposta a perguntas por Olinda Nobre dos Santos, de 89 anos de idade, que foi caseira da casa de família de Humberto Delgado e da sua esposa Maria Iva Delgado, a chamada Quinta da Cela Velha;- A leitura da mensagem ditada por Iva Delgado, a filha sobreviva do General Humberto Delgado, a qual não pôde comparecer na cerimónia em razão da sua idade, a qual foi enviada electronicamente por Frederico Delgado Rosa, filho de Iva Delgado e portanto um dos netos de Humberto Delgado, tendo a mencionada mensagem ditada sido lida por uma das cidadãs presentes na efeméride;- A visualização e audição da mensagem de vídeo enviada por Whatsapp por João Soares, na impossibilidade da sua comparência pessoal.
Mensagem esta que alguém já apelidou de documento histórico, na qual o mesmo presta a sua sentida homenagem ao General Sem Medo, e cita de cor acontecimentos muito relevantes da nossa História recente, entre os quais pormenores do bárbaro assassinato de Humberto Delgado e de Arajary de Campos, cidadã brasileira, secretária e companheira do General Sem Medo. João Soares é uma relevante figura nacional, tendo ocupado, nomeadamente, os cargos de presidente da Câmara Municipal de Lisboa, deputado à Assembleia da República e ministro do Governo de Portugal. É filho de Maria Barroso Soares e de Mário Soares, tendo este sido o principal denunciante do assassinato do General Humberto Delgado, ainda no tempo do chamado “Estado Novo” e que, depois da instauração do actual regime democrático na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974, foi, para além do mais, secretário geral do Partido Socialista (PS), primeiro-ministro do Governo de Portugal e Presidente da República Portuguesa;- Resposta a perguntas por Armando Marques Simões, o qual transmitiu que com a sua presença pretendia prestar uma homenagem à memória de Humberto Delgado;- Resposta a perguntas por mais quatro cidadãs, depois do repto lançada para esse efeito, as quais deram todas o seu sentido testemunho sobre os motivos que as levaram a comparecer na cerimónia, todos fundados na intenção de homenagear a memória do General Sem Medo.
2.º MENSAGEM DITADA POR IVA DELGADO, FILHA DO GENERAL HUMBERTO DELGADO, A QUAL FOI LIDA NO DECURSO DA CERIMÓNIA
“Caros compatriotas,
A vossa presença aqui comove-me, num dia em que estamos a assinalar mais um aniversário do assassinato de meu pai Humberto Delgado ocorrido em 13 de fevereiro de 1965. Durante anos após o seu desaparecimento, recebi telefonemas diários, com ameaças, suspeitas, profecias, tudo o que ainda mais acentuava a dor da perda. Tinha que atender rapidamente, para evitar que fosse minha mãe a fazê-lo. Por decisão dela, o corpo só veio para Portugal depois do 25 de Abril de 1974, porque, como ela dizia: ‘Com um carro da PIDE à frente e outro atrás, nunca!’ Bem hajam pela vossa homenagem à memória de quem deu a vida pela Liberdade! Um abraço e até sempre. Iva Delgado”
Muito grato pela atenção dispensada, subscrevo-me com os melhores cumprimentos
Paulo Quim, um filho da terra da Cela Velha







