Comunicado do Centro Hospitalar de Leiria

Comunicado

A infeliz normalidade do anormal

O Centro Hospitalar de Leiria (CHL) foi confrontado hoje, 10 de janeiro, com uma reportagem da TVI sobre dois utentes que se queixam de atrasos no atendimento. O CHL deu a sua versão dos casos, que foi considerada, pelo menos em parte, pela reportagem.

Antes de mais, queremos relevar que o mais importante nesta altura não é analisar casos pontuais (o que é apenas relevante para corrigir e afinar procedimentos), mas deixar uma palavra de tranquilidade aos utentes do CHL e do SNS em geral. O CHL tem ainda, por enquanto, condições para continuar a receber doentes COVID urgentes e doentes não COVID urgentes. Não temos condições para prever durante quanto tempo vai ser possível manter essa disponibilidade, mas queremos relevar quatro aspetos importantes:

Primeiro, os nossos profissionais continuarão a dar tudo quanto têm, para lá do que é a sua mera obrigação laboral, para lá da exaustão que muitos já experimentam;

Segundo, quando atingirmos o limite da nossa capacidade comunicaremos isso claramente aos nossos utentes, diretamente e através da comunicação social, que é nossa parceira nestes tempos de “guerra”;

Terceiro, qualquer unidade de saúde, em qualquer ponto do país, tem necessariamente uma capacidade limitada pela sua estrutura e disponibilidade de recursos humanos;

Quarto, essa disponibilidade poderá ser tanto maior quanto mais responsável, cooperante e tolerante for o comportamento da população.

Não nos iludamos: com o aumento do número de infetados aumenta o número de acessos à urgência COVID (nos últimos dias de 2020 e até ao dia 3 registámos entre 50 e 60 admissões e nos dias 4 a 6 tivemos entre 70 e 100 admissões) e naturalmente os tempos de espera aumentam, a insatisfação dos utentes também, a exaustão dos profissionais idem. É inevitável!

Cabe a todos nós contribuir para travar a pandemia, ficando em casa, diminuindo os contactos ao máximo, e, quando tivermos que sair, cumprindo escrupulosamente as normas de etiqueta respiratória, usando máscara e higienizando frequentemente as mãos.

Em termos mais objetivos, no que respeita à relação dos utentes com o CHL, devem ser parcimoniosos no acesso às urgências gerais, se tiverem sintomas compatíveis com a infeção pelo coronavírus devem deslocar-se primariamente à ADR-C, instalado no Estádio Municipal, libertando as urgências para as situações verdadeiramente urgentes, e, antes disso, devem ligar para a linha Saúde24 e seguir as instruções.

De qualquer forma, e porque nos cabe também esclarecer os utentes, à versão enviada à TVI acrescenta-se o seguinte esclarecimento:

O primeiro utente, que se queixa de ter estado 18 horas à espera, era um doente triado verde, portanto “pouco urgente”; e no meio do período de espera foi chamado para ser visto por um especialista, não tenho respondido à chamada, facto que ficou registado no processo. Algo terá acontecido, e não quer dizer que um dos dois falte à verdade, haverá com certeza uma explicação para esse desencontro, lamentável, mas que não é necessariamente doloso.

O outro utente alega ter estado 12 horas à espera de uma radiografia, situação que estamos ainda a averiguar.

Duas notas finais: contem os 400.000 utentes do CHL com a disponibilidade total e o empenho absoluto dos seus profissionais, como tem sucedido e vai continuar a suceder. Por outro lado, não é possível garantir um atendimento isento de esperas, erros e falhas. Estamos a trabalhar em cenário de contingência, com recursos necessariamente escassos para a procura. Podem é contar, também, com a nossa máxima honestidade e transparência na informação e relação com os utentes. Vamos, todos juntos, ultrapassar este período negro, em que, infelizmente, a anormalidade é o normal.

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