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Opinião de Octávio Serrano – Um subsidio de dez milhões

Sabe o ouvinte? Ter esperteza para ganhar dinheiro, não é para todos! Há que saber aproveitar logo, loguinho, qualquer oportunidade que surja! E depois é só lançar a rede; que a colheita virá…
Em Março do corrente ano, com o desencadear da pandemia, muita da clientela habitual, simplesmente não renovou os seus  passes dos transportes públicos; uns ficaram em casa em tele-trabalho; outros ficaram a tomar conta dos filhos, que não tinham escola; outros ainda, meramente, se auto-confinaram; um quebra enorme de receita; em reacção, as empresas de transportes aderiram de imediato ao lay-off; boa parte dos seus trabalhadores ficou em casa; a maior parte parte dos autocarros e comboios ficaram parados; só uma parte reduzida do seu pessoal ficou a trabalhar! Estes últimos, tinham de sustentar a empresa; menos percursos, menos carreiras; e nas horas de ponta, transportes à cunha; sem ninguém a usar máscara; campo fértil para propagar o vírus!
Em Abril até se teve sorte; a epidemia ainda não tinha chegado em força a Lisboa; andava lá para o Norte; o pessoal podia andar ao monte nos transportes públicos, que não haveria consequências de maior; não eram cómodos; não tinham qualidade; mas quem se importava com isso; o que interessava era cumprir os horários de entrada nas empresas onde as pessoas trabalhavam; as quais, na maioria das vezes, também não se preocupavam muito com as condições higiénico-sanitárias, em que os seus empregados trabalhavam.
Em Maio, começou um desconfinamento muito tímido; e logo apareceram os primeiros surtos de Covid19 na Azambuja; as reportagens televisivas, que ainda não tinham dado conta do problema, mostravam pessoas a sair aos magotes, dos metros, dos comboios e dos transportes rodoviários; muitos destes trabalhadores levantam-se muito cedo; vivem em alojamentos com poucas condições; e sem alternativa, tinham de ser transportados a esmo numa diminuída rede de transportes; para chegarem aos seus empregos; e o Covid19 espalhou-se!
O governo durante quase dois meses fechou os olhos; julgariam que se trataria de focos localizados, que iam sendo debelados uns atrás dos outros, através do confinamento obrigatório dos atingidos; mas as pessoas que obrigatoriamente já usavam máscaras, eram obrigadas a não cumprir as distâncias de segurança mínimas exigidas por lei; as empresas de transportes não se preocupavam nada com o problema; as pessoas tinham de chegar aos empregos e elas precisavam de ganhar dinheiro;  se o Covid19, se espalhava exponencialmente, não seria um problema deles.
Os focos deixaram de ser localizados; a disseminação passou a ser social; a aura de prestigio adquirida internacionalmente perdeu-se; e o facto de o país passar ser considerado na comunidade europeia, como um destino perigoso foi a gota de água que transbordou o copo; que se entornou ainda mais, quando fotografias tiradas dentro de autocarros lotados de passageiros se tornaram virais! O governo tinha de fazer alguma coisa!
Presumo, que contactaram as empresas de transportes; dizendo-lhes que assim não dava! As pessoas não podiam andar nos transportes, como sardinha em lata! Quase de certeza que as empresas responderam, que não tinham condições para que elas pudessem andar de outra maneira; não seria rentável; o governo terá insistido, que o numero de autocarros tinha de aumentar, para que se pudesse respeitar as distâncias sociais; as empresas terão feito orelhas moucas ao apelo; o acréscimo de disponibilidade de transportes, não lhes traria qualquer proveito; se o governo queria o problema resolvido, então tinha de abrir OS cordões à bolsa!
E sem outro remédio! Fê-lo! E teve de subsidiar com mais dez milhões de euros mensais as transportadoras rodoviárias de passageiros a titulo de compensação pelos encargos adicionais;  no dia 01 de Julho, duplicaram os autocarros; grande favor; voltámos a ser nós a pagar! Para lucro de alguns!
Um bem hajam e uma boa semana.






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