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Opinião de Octávio Serrano – Um governo de Sábios não é sinonimo de democracia

https://youtu.be/bA3gbYiIDHA

Tem de se combater as mistificações; não admitir confusões; pois o conceito de democracia só tem um sentido; é o exercício do poder politico de uma sociedade, através da manifestação universal  do voto expresso da população maior, nas urnas; um declarar de vontade soberano que define e impõe decisões, e escolhas fundamentais de uma maioria, em relação a uma minoria; mas que ao mesmo tempo, garanta direitos fundamentais, como o livre expressar de ideias e opiniões, e a livre difusão de informação; a fim de que se possa escolher meritocráticamente as melhores decisões e representações.

Mas existe quem oportunisticamente confunda democracia com epistocracia; ou seja um regime politico, em que uma elite de sábios  governe; afirma-se implicitamente que por se ser sábio, logo se possui o discernimento superior para se governar uma sociedade; que os cidadãos comuns são como simples crianças manipuláveis e que o seu voto de escolha, não garante as melhores decisões; mas pelo que tenho lido, estes “sábios” que tudo sabem, um género de filósofos aristocráticos, não serão uns sábios quaisquer; terão de ser sábios políticos; o Einstein não serviria, pois era um sábio da física; teriam de ser sábios, com cursos de doutor em administração publica; um género de “apparatchik” que subiriam na sua carreira com estudos, experiência, e concursos públicos para lugares de gestão publica.

Idealmente e aparentemente, qualquer um se poderia candidatar a um lugar, de exercício do poder de decisão local, regional ou nacional; pois qualquer se poderia auto propor; mas, existiria desde logo uma barreira que faria a triagem; o chamado concurso publico; em que “doutores” já instituídos examinariam os candidatos pelo seu mérito ou demérito; e escolheriam apenas de entre eles, aqueles que melhor os satisfizessem; claro, que estes doutores teriam de ser isentos; o que raramente acontece; pois além dos méritos ligados ao conhecimento, existem os deméritos da falta de cunha, ou antipatia pessoal, rácica, ou elitistica; não se constata, que em certas universidades, os descendentes e afilhados dos catedráticos instalados, são privilegiados na admissão e subida na carreira do professorado universitário?

Poderia eventualmente a casta de sábios dirigente, escolher por concurso um conjunto de candidatos meritórios; mas pasme-se; em vez de entregar às populações a decisão democrática da escolha dos eleitos ou eleito, prefeririam antes fazê-lo por sorteio; pois para eles, as populações não teriam a capacidade para fazer essa escolha! E este processo aplicar-se-ia, segundo os adeptos da epistocracia, até ao lugar mais alto da estrutura governativa da Nação!

Sem duvida, que o povo nunca abdicará do seu direito natural de ter soberania de escolha; apesar de limitada, como o é nas democracias representativas; um regime destes, pariria certamente uma elite aristocrática, que tentaria perpetuar-se ditatorialmente; qualquer elite que goza do privilégio da posse do poder, toma decisões em que se auto beneficia; além de que, tendencialmente, governariam segundo os interesses daqueles que possuíssem, o poder económico no país.

Tudo isto me faz lembrar o regime do Salazar; sinceramente; a ideia de que o povo é incapaz de se auto-governar; a ideia, de que a elite se deve auto-escolher; o corporativismo implícito no esquema de sociedade; o poder enorme atribuído aos burocratas; a tomada de decisão não criticável e endeusada; a submissão implícita, de todas as classes, ao poder de decisão de uns poucos; a tendência para a cristalização das instituições; a necessidade de impôr a ignorância politica à maioria da população.

Todos sabemos e sentimos, que a escolha dos políticos se tem de fazer pela triagem da escolha publica e democrática; não é garante, que um bom administrador publico necessite de ser “sábio”; o bom politico, é aquele que pelas provas dadas garanta às populações que serve o interesse publico; e isso não tem a ver com a idade ou sabedoria; tem a ver com respeito, com servir, com discernimento; e com um bom sistema eleitoral que permita a escolha optimizada! Coisa, que ainda não possuímos!

Um bem haja e uma boa semana!

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