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Opinião de Octávio Serrano Se não morremos do bicho morremos da cura

O governo do António Costa, apostou desde inicio de Maio no desconfinamento; também não teria outra alternativa senão de o fazer; as medidas de confinamento iniciais foram tomadas na altura certa; ainda no estádio inicial de propagação do Covid19 no país; e fosse por medo pandémico, fosse por civismo exemplar, a generalidade da população cumpriu a sua obrigação; resguardar-se, para que o vírus não se propagasse; os focos que persistiam foram controlados; o Serviço Nacional de Saúde portou-se exemplarmente; anulando com a sua acção todas verborreias politicas que o queriam destruir, em favor de interesses privados mercantis; no entretanto, o país preparou-se para afrontar a doença; aprendeu-se e ganhou-se experiência; apoiou-se a economia privada, nomeadamente aquela, que soberbamente afirmava, que o Estado era um simples sugador de impostos; enfim, atenuou-se o impacto inicial.
Mas no rasto da pandemia, veio outra doença, tão ou mais grave do que a primeira; uma recessão económica que se revelou muito profunda; e esta, tenha a origem que tiver, só tem um remédio de recuperação; colocar de volta, a economia a funcionar; nomeadamente o consumo; senão sectores inteiros da economia do país correriam o risco de soçobrar. Por isto, o governo está a tentar tirar as pessoas detrás das paredes das suas casas, e a colocá-las atrás de uma máscara; para que elas circulem, trabalhem, adquiram e consumam; claro que não sabemos, se o governo incentivou o uso de máscara como uma protecção profilática, ou como panaceia psicológica; mas devem ter acreditado, no exemplo que outros países proporcionaram, e enfim, acreditaram que as máscaras afinal protegiam; mas não foi fácil convencerem-se!
Mas o risco da pandemia desapareceu? Claro que não! Como se previa, os aglomerados de pessoas, nomeadamente nos transportes públicos e nas unidades de fabrico, constituiram-se como focos de disseminação; os quais têm acendido novos focos dispersos, que os serviços de saúde procuram combater, isolando-os, através da aplicação de períodos de quarentena aos infectados.
Mas, o que interessava mesmo ao governo era que o comércio reabrisse, e que certos serviços de apoio pessoal se reactivassem; não só porque se restabeleciam relações de consumo, geradoras de impostos, como por outro lado, se deixavam de atribuir subsídios de lay-offs a esses sectores económicos; a rentabilidade desses sectores até poderá ser de momento negativa, mas espera-se que os hábitos de consumo pouco a pouco se restabeleçam; a não ser que a situação se descontrole novamente, e o confinamento se torne de novo norma.
Mas o governo sabe, e todos nós também; que enquanto não se amenizarem as condições da pandemia do Covid19, a verdadeira recuperação económica será uma miragem;  há muita gente, nomeadamente de grupos de risco que continuará confinada em suas casas; e estas populações limitaram necessariamente o seu consumo, á subsistência básica; mesmo aqueles que por motivos profissionais ou por estarem fartos de confinamentos, se aventuram no seu dia-a-dia, suspenderam qualquer projecto que tivessem, de aquisição de viagens, de investimentos, de participação em eventos; pois tudo aquilo que se possa revelar como risco acrescido, estará posto de lado nos tempos mais próximos.
E sinceramente não haverá muito a fazer, agora que o vírus se disseminou exponencialmente; senão gerir a crise e esperar; o sistema chinês, de isolar sectores populacionais inteiros por largos períodos resulta transitoriamente; só que o actual surto em Pequim, veio demonstrar que é impossível extinguir o bicho completamente; ele vai aparecer noutro lado qualquer, pois existem muitos portadores assintomáticos.
Portanto vamos viver, trabalhar e consumir, com os devidos cuidados; senão corremos o risco de não morrermos com o “bicho”, mas da cura!
Um bem hajam e uma boa semana!





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