Página Inicial Notícias Política Opinião de Octávio Serrano – O povo Bielorrusso deseja mudança

Opinião de Octávio Serrano – O povo Bielorrusso deseja mudança

Normalmente, os regimes políticos precisam de legitimidade; ou seja necessitam de demonstrar cabalmente, que o respectivo poder político, é de algum modo sancionado pela maioria do povo. Com excepção, daqueles, que obtêm essa legitimação através da deificação dos seus dirigentes; ou seja, a elite governativa aliena de tal forma a população, que a maioria crê que os seus dirigentes têm legitimidade para o serem; pois possuirão o dom de decidir incondicionalmente; e quando uma minoria não o crê, é perseguida ou simplesmente exterminada; e o medo passa a ser a principal base de legitimação do poder.

Nas sociedades ocidentais tal não é possível; por isso, periodicamente se sufraga o poder; é o que tem sucedido na Bielorrúsia; com a implosão da União Soviética, esta foi uma das repúblicas que obteve a sua independência formal; situada entre a Polónia, as repúblicas bálticas e Rússia; ocupa um lugar de charneira, desde a sua independência em 1991; ano em que o Sr. Luckachenko, ganhou o seu lugar de presidente em eleições legitimas; antigo membro do PCUS esforçou-se por isolar o país das dolorosas transformações económicas e políticas que a Rússia sofreu nessa altura; e tal consistiu em manter a economia e a politica centralizada, nas mãos de um partido único; a posse pelo Estado dos meios de produção; e uma economia planificada centralmente; que eu designo de capitalismo de Estado.

Assim, desde a independência que têm acontecido periodicamente sufrágios eleitorais; os quais têm servido para apoteoticamente legitimar o poder estabelecido; aprovações por maiorias, muito perto da unanimidade; claro, que tal só se consegue, seja onde for, pela limitação do exercício do voto; pela fraude eleitoral; nas eleições realizadas recentemente o poder autocrático exercido pelo Sr. Luckachenko, teve a oposição de uma senhora de nome Svetlana, esposa de um oposicionista preso; que personificou o desejo de mudança; uma fraude eleitoral maciça transformou a derrota do Sr. Luckachenko, em vitória; ganhou com 80% dos votos; e o povo revoltou-se!

E agora a questão; porque é que o povo se revolta, se os meios de produção pertencem ao Estado, e o Estado aparentemente pertence ao povo? Pois! Porque o Estado e as empresas estatais, omnipresentes na Economia interna, foram usurpados por uma classe de burocratas instalados no poder, gozando de privilégios imerecidos e ostentando incompetência generalizada. Este é o problema comum a todos os sistemas económicos centralizados; não são eficientes no aspecto produtivo, e tornam-se parasitários, em favor de uma minoria protegida pelo sistema político instaurado; esta foi a razão, pela qual nos anos 70, Deng Xiaoping implementou na China a política, um país, dois sistemas; que permitiu libertar a China, do puro e duro centralismo económico e dos obsoletos planos quinquenais.

As economias, para que progridam, necessitam de renovação e evolução; e tal implica destruição de estruturas económicas obsoletas; escolha de quadros dirigentes pela competência e não pelo apadrinhamento; competição económica, que selecione os mais aptos e eficientes; respeito por quem trabalha; só assim se aumentam as capacidades produtivas e se melhora a capacidade de criar sociedades inclusivas, em que as populações gozem de incrementais acréscimos de nível de vida. Quando, a difusão económica estagna, e as populações deixam de auferir de níveis de vida inclusivos, será porque no processo se instalaram forças e entidades, que parasitam o sistema económico em seu proveito.

A Bielorrussia é um território que pertence à esfera de influência geopolítica de Moscovo; a Putin, não lhe interessa a radicalização da população do seu satélite; logo, julgo eu, já estará a preparar a substituição do Sr. Luckachenko; por alguém que implemente as reformas politicas e económicas que o país necessita; ao jeito de Moscovo; claro!

Um bem hajam e uma boa semana!

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