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Opinião de Octávio Serrano O percurso politico do PAN

PAN; é a sigla de um movimento, que se auto-designa de  partido; mas tenho para mim, que um partido tem que possuir um projecto muito abrangente, que tenha a capacidade de servir a sociedade em geral; o PAN pelo contrário, é bastante restrito no seu projecto; assenta a sua filosofia politica num conjunto de ideias de índole humanística, que não deixando de ser respeitáveis e atraentes, não são de modo nenhum suficientes para construir um conjunto estruturado de ideias, que permitam orientar uma sociedade num determinado sentido. No entanto, não posso deixar de considerar, o processo de desenvolvimento e estruturação do “Pessoas, Animais e Natureza”, desde a sua fundação em 2009, como um caso de sucesso, que merece o devido estudo.
Desde logo há que salientar, que o PAN é um partido de causas; os seus dirigentes definiram um conjunto de princípios, que aplicados a situações concretas, proporcionou ao PAN apoio e adesões crescentes; tiveram o cuidado, de não se dispersarem; de focalizaram a sua actividade politica num conjunto de assuntos fracturantes, polémicos e mediáticos; por exemplo; na vertente da protecção animal, agarraram  temas como, a proibição das touradas, a proibição da utilização de animais nos circos, a limitação da utilização de cobaias nos laboratórios, a protecção dos animais, domésticos e não só. Em consequência directa, da protecção animal que defendem, promoveram práticas do veganismo e de vegetarianismo na alimentação humana. Em relação à protecção ambiental adoptaram como suas, causas relacionadas com a interrupção definitiva da prospecção de petróleo em Portugal, ou o controle da utilização e reciclagem do plástico, entre outras.
Mas na defesa destas bandeiras, não se limitaram à propaganda; organizaram eventos; ou associaram-se a outros movimentos em manifestações; dou como exemplos, a organização nas festas do S. João do Porto, do “São João Vegetariano”, disponibilizando comida livre da crueldade humana contra os animais; segundo eles; ou uma manifestação em Lisboa contra a venda da EDP aos chineses; também será de salientar, as campanhas de Outdoors bem direccionadas, no sentido, não de promover figuras da organização, mas de difundir junto das populações ideias caras ao movimento.
Graças ao apoio que obtiveram neste processo de consolidação como partido, nas eleições a que concorreram, vieram a conseguir representação parlamentar; primeiro na ilha da Madeira; depois no parlamento nacional; e a partir dai, tiveram a oportunidade de promover no hemiciclo legislação influenciada pelas suas teses politicas; alguma perfeitamente justificável, outra que afrontou directamente a nossa cultura estabelecida; estou a referir-me à tentativa de proibir as touradas, ou à permissão de entrada de animais em estabelecimentos comerciais; mas, sem duvida que foram apoiados, por uma vaga de fundo de opinião, publica, que se tem tornado ao longo dos anos muito sensível a assuntos relacionados com, dignidade animal ou com o ambiente. Foi neste processo dialéctico de crescimento, em que o PAN soube aliar as suas propostas, às ansias humanísticas de um eleitorado predominantemente urbano, que nas eleições legislativas de Outubro, elegeram quatro deputados.
Não coloco em causa as propostas programáticas do PAN, que tenham em conta os seus princípios humanísticos, ambientais e de protecção animal; mas permito-me afirmar que o PAN omite deliberadamente do seu programa, assuntos como, uma revolução digital que tenha em conta a promoção da participação cidadã na decisão dos destinos do país; ou a necessidade de alterar profundamente o nosso sistema eleitoral, no sentido de privilegiar a eleição de pessoas, em vez de siglas de partidos; ou a decisiva promoção de referendos e Iniciativas legislativas do cidadão de âmbito nacional, em vez de apenas local como defendem.
Mas o PAN, lá saberá as linhas porque se cose; talvez estes aspectos não lhe sejam muito caros, ou não sejam do interesse dos dirigentes da organização.
Um bem hajam e uma boa semana!




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