Página Inicial Notícias Política Opinião de Octávio Serrano – O pandemico receio colectivo ao vírus

Opinião de Octávio Serrano – O pandemico receio colectivo ao vírus

O medo ou receio, é um tema tão actual que me atrevo a fazer esta crónica sobre o assunto; começo por vos contar, uma história comigo acontecida; há bastantes anos estive de férias em Tenerife; um voo charter da Ibéria tinha a missão de nos trazer a Lisboa; um boeing já bem usado, que só ficou disponível, com bastantes horas de atraso; onde teria andado o avião? Mas lá chegou o momento ansiado da partida; julgávamos nós, passageiros; pois o avião, foi até ao fundo da pista, posicionou-se para o arranque, acelerou os motores ao máximo; num “vrum” intenso; e depois simplesmente esmoreceu; para nosso espanto colectivo; devagarinho, volta o avião para o estacionamento;  o piloto avisa que existe um pequeno problema; toda a gente em suspense; abrem-se as portas; e entram técnicos; saem técnicos; bem meia hora de grande azáfama; o que teria o avião?
Por fim, definitivamente, saíram os técnicos; fecharam-se as portas; e o comandante esclareceu; era a porta mal fechada! Claro, que ninguém se acreditou, na desculpa esfarrapada; vai o avião ao fundo da pista; acelera os motores e dessa vez arranca; dentro do diabo do avião, ninguém se mexia; ninguém falava; cintos sempre colocados; o avião subia, num esforço; o silêncio dos perto de duzentos passageiros era pesado e sagrado; algo entre fé e terror; e dentro daquela “lata” pressurizada, um cheiro a suor colectivo emanou; um cheiro forte e activo; um odor de medo e terror; as pessoas suaram sentadas; só em altitude de cruzeiro descontraíram um pouco; mas até Lisboa o medo manteve-se; e o cheiro a suor também; o que diabo teria tido o avião? Só quando a nave aterrou na Portela, aquele profundo medo colectivo se desvaneceu; gritos e palmas levaram-no; mas a recordação ficou! A tal manifestação de medo colectivo, não voltei a assistir! Até agora!
Desta vez,  não se trata de um avião; mas de um planeta; e não vamos sair dele, numas horas; desta vez, trata-se de um medo pandémico; omnipresente no tempo e no espaço; não dá tréguas; teme-se um inimigo, que não se sente chegar; nem atacar; só se sabe que ele chegou, no fim de nos ter vencido; de ter tomado os nossos corpos; chegado de outros; em terríveis pulos contagiosos; e que ameaça que o Covid19, representa? Para alguns a morte; para muitos outros sofrimento e uma experiência terrível; e o medo ao vírus, instalou-se; em poucas semanas, deu volta à nossa vida colectiva; ao gosto de vivermos e convivermos; ao gosto de falarmos e estarmos; ao gosto de amar e gostar; ao gosto de partilhar e viver! Pois o vírus, pode estar ali, ao alcance de um espirro; ao contacto de um aperto de mão; na troca de um beijo partilhado!
E as pessoas fecharam-se em casa; deram distancia ente si; e quando, em saída necessária o fazem, não param, nem olham; passam, sem nada dizer; sem sorrir; sem olhar; em ruas quase vazias; então os que usam máscaras, esses passam quase incógnitos; só os olhos; ou o formato do corpo lhes denuncia a identidade; e aqueles que antes amiúde conviviam; se se encontram, fazem acontecer conversa rápida; de circunstância; se a família está bem, ou não; assim se mantenha; desejam: e passam directos a casa; ou ao trabalho; em quarentena de idoso; em tele-trabalho de resguardo; tomando conta das crianças sem escola; ou forçados ao trabalho de fábrica ou no campo; só as palavras necessárias; o vírus anda ai…e o medo prevalece!
Mas felizmente há gente, com abnegação ao dever; esses,  obrigam o medo a recolher-se; forçados que são a afrontar de frente a real possibilidade, de o vírus vir a contrair; médicos e enfermeiros, que doentes curam; tratadores que dizem presente, no acompanhamento dos mais idosos; forças policiais, que na protecção de todos, arriscam pela necessidade de interpelar; ou ainda aqueles outros, cuja profissão obriga a atender o mais diversificado publico; serão estes os nossos heróis; aqueles que por dever ou voluntarismo, nos estão a ajudar a chegar ao bom termo desta provação; pois haveremos de um dia ficar livres do desgraçado; voltaremos, às nossas vidas de sempre; livres do terror deste inimigo invisível! O Covid 19! Tenhamos esperança…
Um bem hajam e uma boa semana!







Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por RuiCustodio
Carregar mais em Política

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Veja Também

Município de Porto de Mós isenta esplanadas, transportes escolares e entradas no Castelo

No decorrer da última reunião de Câmara, foi aprovado, no âmbito das medidas de apoio às e…