Opinião de Octávio Serrano na Cister Fm.

Na crónica desta semana

O COMBATE AO “CHEGA”

Rui Rio, tem sido muito criticado recentemente; pelo facto de ter concluído um acordo com o “Chega”, para viabilizar um governo de direita nos Açores; dizem os seus detractores que tal actuação foi inconcebível; pois esta extrema direita não respeita a Constituição; é xenófoba; é racista, e tem como objectivo declarado substituir o actual regime, por um governo autoritário, dito por muitos de fascista; e eu concordo com eles a 100%; o Rui Rio, ultrapassou uma linha vermelha; não se tem a certeza é se o fez por maquiavelismo politico, se por alguma similitude ideológica ou se por algum tacticismo de oportunidade.

Recentemente ouvi um debate sobre o assunto; eram intervenientes, o Pacheco Pereira do PSD; a Ana Catarina Mendes do PS e o António Lobo Xavier do CDS-PP; e durante o bom bocado que os ouvi;  com a minúcia da análise que os caracteriza, estiveram todos de acordo num ponto; a melhor maneira de combater o “Chega”, seria isolá-lo; ostracizá-lo; metê-lo num curral ideológico; fechá-lo à comunicação social; e nunca por nunca, o incluir em negociações politicas, fosse lá porque motivo fosse.

Ora o Rui Rio, acaba de transgredir por completo esta táctica; pois acaba de incluir o “Chega” num acordo de governo; claro que o Rui Rio, diz que não fez isso; que o que fez, foi normalizar o “Chega”; quer dizer que o Rui Rio, no seu entender, passou com um pano carregado de detergente por cima do “Chega”, e o limpou de todas as nódoas, que este possuía; limpinho; clarinho; o que por certo, em pouco tempo tornará este partido inócuo.

Ora todos sabemos que não será assim; o comprometimento do “Chega” em apoiar o novo governo açoriano, terá um preço a nível nacional; e uma das componentes desse preço, será o de o “Chega” ser tratado com toda a complacência; o de por exemplo, o PSD o ajudar a ser incluído na vida parlamentar; o de o PSD fechar os olhos, a que o “Chega” tenha acesso, a ser uma voz mais activa na comunicação social; a de o PSD vir a considerar certas propostas politicas do “Chega”; quer isto dizer que o “Chega”, correrá o risco de se tornar um afilhado politico do PSD. O que não me surpreende, dado o facto, de este novo partido ter tido origem numa ala mais retrógrada, que durante muitos anos sobreviveu dentro do PSD!

Voltando ao debate entre excelsos comentadores que atrás referi, não posso deixar de aqui expressar o meu espanto, por nenhum deles, ter de algum modo analisado os motivos pelos quais o “Chega” está a crescer eleitoralmente; talvez porque isso implicasse, que caso o fizessem, tivessem de morder no braço em que cada um se apoia; precisamente; ninguém quer colocar o seu dedo nessa ferida; pois se o fizessem, teriam que afirmar, que o “Chega” cresce no desencanto, raiva e aversão, à actuação politica de boa parte da classe politica portuguesa; que tem prejudicado a Nação, em favor de interesses do mais variado cariz; tornando o Estado manjedoura larga para muito interesse, que dele sobrevive!

Corrupção, que tem corrompido o aparelho de Estado; seja em proveito pessoal de alguns, seja para alimentar máquinas partidárias; clientelismo politico, corporizado em estruturas mais ou menos declaradas, que se instalam no aparelho de Estado, mal a sua cor ganhe eleitoralmente; nepotismo, como sucedeu na Região autónoma dos Açores; subordinação inadmissível a interesses económicos, que se permitem utilizar o Estado para garantir  lucros chorudos e perpétuos; ganhos de vantagens económicas, em favor de titulares de cargos públicos, como recentemente sucedeu no caso do Lítio; e etc; etc…

Na verdade, é de tudo isto que se alimenta o “Chega”! Logo, deixem-se os partidos do sistema e seus comentadores predilectos, de declarações anti-fascistas hipócritas; incentivem sim, a que os seus eleitos ganhem tento nos seus comportamentos; que assumam éticas de actuação impolutas, que não permitam o que não deva acontecer; publiquem leis eficazes, que inibam práticas nefastas e permitam castigar os infractores; e não sejam complacentes, nem cúmplices, nem  tolerantes!

Esta é a receita! Estarão Vºas excelências dispostas a aceitá-la?

Um bem hajam e uma boa semana!

Ouvir crónica;

A crónica de Octávio Serrano pode ser ouvida à 2ª feira pelas 00h20, 08h30, 12h30, 16h30, 21h30.

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