Opinião de Octávio Serrano – E se não houvesse dinheiro

Existem entidades que advogam o desaparecimento do dinheiro físico na nossa sociedade; querem acabar com as seculares notas e as milenares moedas; e agora, o Covid19, acaba de lhes trazer mais um argumento; acusam o dinheiro vivo, de ser um veículo transmissor da doença entre as pessoas; para justificar o interesse, tudo serve….

O ouvinte perguntará, como tal seria possível? Na verdade já existem tecnologias informáticas e de comunicação, que o permitem; e de uso simples e fácil; além dos omnipresentes cartões de débito, relacionados com uma conta bancária, existe a funcionar na China, um sistema com base nos telemóveis dos seus titulares, conectados com contas instaladas remotamente num servidor, controlado por uma entidade oficial; por essa conta passa toda a vida financeira de um indivíduo; tanto o seu salário, como qualquer coisa que adquira; num Mundo, financeiramente assim estruturado, realmente não seria necessário dinheiro vivo!

Mas todos nós sabemos, que quando nos querem empurrar em determinada direcção, será porque existe para alguém, um grande interesse nisso; para os bancos, por exemplo; imagine-se à escala global, os proveitos relacionados com serviços bancários que não seriam cobrados; e os lucros que os bancos não aufeririam; e não nos esqueçamos, do interesse pela parte do Estado; imagine-se um Mundo onde todas as transacções comerciais fossem informáticas e facilmente controláveis; a fuga aos impostos por certo desapareceria; o Estado cobraria mais impostos; o que não seria sinónimo, de que o Estado gastasse bem os nossos impostos; claro! Toda a nossa vida pessoal, estaria sujeita ao controlo de um grande Big Brother; que possuiria os meios, para intrusivamente interferir e vigiar o nosso comportamento financeiro e pessoal.

Mas, este desejo de alguns, choca inevitavelmente com o sentir geral das pessoas comuns; em primeiro lugar, afecta o sentimento de posse física; os depósitos financeiros, que se tem nos bancos, à partida são realizáveis a todo o momento em dinheiro vivo; o que dá segurança da posse.

Em segundo lugar, para muita gente é importante o entesouramento pessoal; quer-se dizer, a liberdade de possuir-se “à mão”, valores disponíveis que garantam o consumo, em qualquer circunstância; ou até o “prazer de Ti Patinhas”, de estar na posse daquilo que lhe pertence.

Em terceiro lugar, o medo justificado da falha dos sistemas informáticos; ninguém consegue garantir a inexistência de um “black-out” informático; seja por avaria ou impedimento dos “hardwares”, seja do sistema de comunicações; que impeça o acesso mais ou menos prolongado aos meios de pagamento depositados. Nesse dia, certamente, dará jeito ter umas notas e moedas para pagar ao padeiro, ou a conta do super-mercado.

Em quarto lugar, existe o receio da bancarrota dos bancos; apesar de todas as garantias, esta continua a ser uma hipótese muito provável; o nosso sistema creditício é propício à falência bancária; ninguém consegue garantir, nem o próprio Estado, que um dia não existe a possibilidade de se acordar, com as contas todas congeladas; por os bancos não conseguirem assumir os seus compromissos.

Em quinto lugar, existe um arreigado individualismo nas sociedades ocidentais; um sentimento generalizado, de que o individuo deve ser livre de gastar o seu dinheiro, naquilo que bem lhe apetecer; sem ter necessariamente, de estar sujeito à possibilidade de vigilância e controlo de seja quem for.

Em sexto lugar, e muito importante, o aspecto político; um sistema destes poderia eventualmente constituir-se como um instrumento em favor de um Estado totalitário; ora, as sociedades democráticas só necessitam de um Estado suficiente; não necessitam de um Estado omnipresente; precisam de um Estado que respeite o cidadão; não precisam de um Estado que subjugue o cidadão.

Por tudo isto, não me admirará mesmo nada que as sociedades ocidentais oponham uma resistência inquebrável, a estas pretensões interesseiras e subjugantes.

Um bem hajam e uma boa semana!

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