Página Inicial Notícias Política Opinião de Octávio Serrano – Caiu o consumo, caiu a produção

Opinião de Octávio Serrano – Caiu o consumo, caiu a produção

em duvida que o sistema capitalista neoliberal mundial se despistou; e os estragos, deste desastre, são profundos e de difícil recuperação; prevê-se que o retorno à pujança económica que existia, vá ser longa e árdua.
Pois devido à epidemia do COVID 19, foram simultâneamente afectados dois pilares essenciais do sistema económico; o consumo e a produção. E foram-no quase em simultâneo; numa conexão conjunta; quando sucede a pandemia e o confinamento acontece, as pessoas restringiram o seu consumo às suas necessidades imediatas e básicas; mas ao mesmo tempo, aconteceu, que parte dos confinados, eram essenciais ao sector produtivo, pelo que este foi afectado no seu ciclo; foram reduzidas ou interrompidas actividades de produção e serviços.
Por outro lado, os agentes comerciais ligados ao consumo, aperceberam-se que o consumo se ia restringir; e de imediato procederam ao cancelamento de  encomendas; contribuindo também para a paragem ou a redução drástica de actividade de parte do sector produtivo. Como bem sabemos a interdependência global funcionava no sistema “just on time”; isto queria dizer que os stocks nas actividades produtivas eram reduzidos ao mínimo; tudo estava coordenado, para cumprir cronologias activas no tempo, de modo que a produção de qualquer que fosse o produto, tinha de ter as suas matérias primas disponíveis, quase na hora em que estas eram consumidas; era assim por exemplo no sector automóvel. Ora os diversos e variados componentes, tinham a sua origem nas mais diversas partes do Mundo, com principal ênfase na Ásia. E uma das consequências imediatas, foi a de que o sistema de transportes de mercadorias, principalmente marítimo, teve os seus carregamentos programados dilatados no tempo e teve de adiar os transportes, por falta de carga que justificasse a viagem dos navios. A jusante, as industrias dependentes suspenderam as suas actividades, por falta desses mesmos fornecimentos.
Os governos ocidentais perante a eminência do pânico generalizado e o colapso do sistema, só tiveram um remédio; subsidiar as empresas através de Lay-Offs, para que estas mantivessem os empregos e os sistemas de produção activos; aguardando o desvanecimento da pandemia e as condições mínimas para que os mercados voltem a funcionar.
Só que existirá um problema chave; os mercados não têm qualquer hipótese de funcionarem normalmente enquanto não for controlada a pandemia do COVID19; seja através do seu desvanecimento natural, seja através da descoberta de uma vacina eficaz; pois as medidas de confinamento, ainda que parcial, não permitem o normal funcionamento do mercado, principalmente do lado do consumo.
Enquanto isto acontece, as empresas ligadas a bens e serviços com quebra de consumo, têm a sua actividade reduzida ou mesmo parada; ora sabe-se que qualquer empresa tem um conjunto de gastos fixos a suportar, que tem de garantir, independentemente do facto de estar parada ou não; dou como exemplo juros de empréstimos, manutenção mínimas, e custos contratuais fixos, como salários; pelo que se conclui, que quanto mais tempo se arrastar este problema, maior será a degradação económica dessas empresas. E os números já começam a aparecer; a Inditex, o maior grupo comercial ligado ao vestuário, perdeu em três meses quatrocentos milhões de euros; esta sociedade, teve tantos lucros no passado recente, que poderá bem aguentar este problema; mas posso adivinhar, que haverá muita sociedade com prejuízos catastróficos, que dada a sua dependência financeira e bancária irá protelar a informação dos seus prejuízos, para não afectar a sua credibilidade crediticia.
E dentro de poucos meses, existirão outras, fundamentais para as economias, que se virão forçadas a exigir aos Estados, subsídios a fundo perdido ou seja nacionalizações mascaradas, a fim de poderem garantir a sua existência;  dou como exemplo a Airbus, sectores de produção de máquinas industriais, empresas de aviação civil e sector automóvel.
Pois o consumo não é apenas das pessoas; o consumo também é das empresas; se estas param os investimentos em activos fixos, de inovação e renovação industrial, é todo um sector fundamental produtivo que parará; tudo isto, vai ter profundas implicações ao nível de emprego.
Um bem hajam e uma boa semana!







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