Página Inicial Notícias Política Opinião de Octávio Serrano – As utopias dos abstencionistas radicais

Opinião de Octávio Serrano – As utopias dos abstencionistas radicais

Caro ouvinte, o aumento da abstenção em Portugal, nas eleições legislativas, teve quase sempre uma curva ascendente, desde o 25 de Abril de 1974;  em 1976, ano de euforia com a liberdade readquirida, nas eleições para a Constituinte, a abstenção rondou apenas os 8,5%; em 2015 atingiu os 44,1 %;  a que se deverá este crescimento exponencial, nestes 40 anos? Qual será hoje o verdadeiro grau de repudio, por parte das populações, em relação ao actual sistema politico português? Quais as reais motivações dos abstencionistas, para não votarem? Claro, que existem estudos acerca da abstenção! Mas não tenho conhecimento de nenhum, que separe percentualmente os abstencionistas, entre os que não votam por serem indiferentes, dos que não votam por se declararem contra o regime! Só sei, que estes últimos, tentam colar os indiferentes, à sua oposição declarada, ao presente Estado de Direito.
No entanto, possuo uma sensação empírica, de que a maior parte dos abstencionistas são apenas indiferentes; uma indiferença bem consolidada, durante as dezenas de anos de vigência do nosso sistema partidocratico; reforçada pelos sucessivos escândalos e maus governos; pela redução da cidadania à simples validação pelo voto, do poder delegado em emblemas partidários; no manifesto controlo e subjugação do Estado aos grandes interesses económicos; todos motivos, que levaram à auto-marginalização dos cidadãos; a uma apatia, onde se reconhece um voltar de costas, entre este sector populacional e o sistema pseudo-democrático português.
Como atrás se referiu, entre os abstencionistas, haverá uma reduzida percentagem que encara a abstenção, como uma manifestação de oposição ao sistema; e que a tenta incentivar, para que o sistema colapse; ; se quase ninguém votasse, esta ordem constitucional cairia, e teria de ser substituída por outra; dizem! Perguntar-se-á! Que outra? Alguns optariam por uma democracia mais avançada; outros por um regime autocrático; a maioria, nem nisso pensa; os sobressaltos económicos e políticos, que a nossa sociedade tem sofrido ao longo destes decénios, provocaram grandes traumas sociais; rancores em relação às elites; aversões relativas a políticos; que em muitos, se manifesta verbalmente, num anarquismo aniquilador; visionando um renascer sonhado, de onde algo de novo nascesse.
Um dia destes, recebi uma mensagem manifestativa;  referia: “É necessário incentivar as pessoas à abstenção; é um cartão vermelho que mostramos a esses políticos de meia tigela. Se a abstenção predominar, escolhe-se uma pessoa de bem, para se propôr a formar governo, em nome da abstenção e com abstencionistas”.
Repare-se! Aponta uma solução: “Escolhe-se uma pessoa de bem!”; um D. Sebastião, talvez! Mas pergunto eu, como se escolheria? Se os abstencionistas radicais, nem eleições querem! Como o fariam? Seria imposto, por grupos militares ou económicos? Mas esta pessoa seria mesmo de bem? Talvez, padre, asceta, santo, testemunha de jeová! Ou seria um influente demagogo, de palavra fácil e persuasiva! E como se cola um rotulo, em alguém, de pessoa de bem? E mesmo, que fosse uma pessoa de bem, os que o rodeassem, também o seriam? E que regime escolheria a suposta pessoa de bem? Monarquia ou republica? Ditadura ou democracia? Tanta indeterminação! Tanto simplismo!
A maioria destes abstencionistas que aspiram à mudança esperam sentados, alheando-se; auto-marginalizando-se; o facto de verbalizarem a sua revolta nas redes sociais, não altera nada; pois optam por não serem alternativa politica; optam por não dizerem das suas soluções; optam por não aproveitarem as restritas oportunidades dadas pelo actual sistema politico! O programa deles é: votar, é validar o actual sistema! Não votem! E desta trincheira não saem!
Mas para criar uma sociedade com um sistema politico mais evoluído, em que a classe politica seja controlada, é necessário que o povo seja preparado para essa mudança; logo exige-se a participação de todos, para que as alterações ao sistema sejam realizadas; o abstencionismo arreigado, em nada contribui para o alcance deste desiderato; antes pelo contrario, ajuda a perpetuar a actual alienação da sociedade; pois uma sociedade mais evoluída constrói-se passo a passo; com a participação de todos!
Um bem hajam e uma boa semana





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