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Opinião de Octávio Serrano – A gaguês de Joacine e do Livre

Refere a Biografia de Joacine Katar Tavares Moreira, a nova deputada do Livre, que ela nasceu em Bissau; que com oito anos veio para Portugal; como tantos emigrantes, vindos das Ex-Colónias Portuguesas, nossos irmãos de língua e destino comum; e por cá se integrou;  fazendo parte por direito e cidadania do nosso colectivo.
Na minha curiosidade pela actividade parlamentar dos novos partidos, vi o vídeo da sua primeira intervenção; sofredora de uma gaguez congénita, a Joacine limitou-se a questionar o primeiro-ministro sobre algumas questões muito directas, relacionadas com a emigração africana em Portugal; mesmo assim deu para notar, o desfasamento existente entre a sua capacidade intelectual e a sua incapacidade de a transmitir no seu discurso; sem duvida foi confrangedora a sua intervenção; para ela, determinada que estaria em discursar o mais fluentemente possível; e para quem a ouviu; pois um discurso entre-cortado por uma gaguez profunda, provoca dó e consternação; um silêncio sepulcral instalou-se na Assembleia de Republica, enquanto a Joacine se esforçava; esperemos que o contributo da Joacine consiga ultrapassar o ónus da sua fala; pois acredito no que ela afirma: o seu pensamento não é gago; Joacine afirmo; tem a minha solidariedade pessoal; mas não politica!
O meu desacordo, não será por o Livre pretender ser representante político de sectores culturalmente diversos e minoritários; que muitas vezes  chocam com o nosso tradicionalismo, de ser português; veja-se o caso do assessor da Joacine; gosta de usar saias; será problema dele! As senhoras, não usam também usam calças! Se o Rafael Martins, quer andar vestido de freira, é uma opção pessoal dele; mas espero, que o Rafael continue a usar sempre as suas saias; senão um dia destes, alguém com toda a razão, alvitrará que o moço só usou as saias para que fosse noticia!
Um dos meus óbices políticos em relação ao Livre , reside no facto de eu pensar, que um partido seja ele qual for, deve possuir um projecto global para o país; não poderá limitar a sua actividade, à defesa corporativa de minorias; se todos assim fizessem, teríamos em pouco tempo uma Assembleia da Republica de partidos sectoriais; em que cada um, defenderia o interesse do sector profissional, social, étnico ou zonal , de quem lhe fosse querido; inevitavelmente, alguns partidos se sobreporiam aos outros; desprezando o interesse geral; por isso Joacine, não posso aceitar politicamente, que venha questionar o governo, acerca do facto de os imigrantes auferirem baixos salários; é que há muita gente neste país, tão desfavorecida ou mais, que necessita de quem por eles clame; e tome-se nota! Nenhum dos países de expressão portuguesa aceitaria que um deputado branco fosse para o seu parlamento defender os interesses de uma minoria branca emigrante nesse país; seria de imediato acusado de neocolonialista! Senão de pior!
O outro grande óbice, é o do europeísmo do Livre; bem gravado na matriz do partido, pelo seu fundador e presidente Rui Tavares; antigo deputado do Parlamento Europeu;  de cujas mordomias auferiu; e que sem duvida o seu coração conquistou; a declaração de princípios do Livre defende o Europeísmo, como algo de bom; refere-se à expansão da soberania; que soberania será esta, que minimiza a dos povos, em favor da centralização do poder de decisão, nos “não eleitos” burocratas de Bruxelas? Refere-se a uma democracia transnacional; como se o parlamento europeu fosse um verdadeiro representante dos povos europeus, e não uma projecção holográfica de poderes estabelecidos! Fala em desenvolvimento do direito internacional, como se este nascesse de um acordo livre entre povos soberanos, e não nos  fosse imposto pelos países mais fortes da Comunidade; fala em direitos humanos, como se fosse possível esquecer a atitude dos poderes centrais europeus, em relação ao sofrimento dos povos e países a quem foram impostas as imposições da Troika; e por fim, esquece-se de referir o necessário nacionalismo, que os povos europeus têm todo o direito de assumir, na sua relação de partilha de relações pan-europeias, entre si!
Por fim um voto! Espero que a Joacine vença a sua gaguês, para que se possa dizer: “Quem fala assim não é gago!”.
Uma bem hajam e uma boa semana!

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