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Opinião de Eduardo Louro – Racismo, ódio e intolerância

Esta semana fica incontornavelmente marcada pelo que aconteceu num campo de futebol, em Guimarães, que trouxe de novo o racismo para o centro da discussão – a discussão é velha: somos ou não um povo racista? – e levou pelo mundo fora o nome do país, mais uma vez pelas piores razões.

Sobre o que se passou em Guimarães já quase tudo foi dito. Sobre a hipocrisia que se lhe seguiu, talvez não!

Circunscrever o que aconteceu no domingo em Guimarães a uma absoluta manifestação de racismo, e ignorar que é parte do todo que é o intolerável clima de ódio e violência instalado à volta do fenómeno do futebol em Portugal, é o expoente máximo dessa hipocrisia.

Isolar o que aconteceu em Guimarães de tudo o que acontece nas televisões, que procuram audiências através da exploração de todas as formas de ódio e violência a que, em nome do futebol, possam deitar mão. De tudo o que é o comportamento das claques, criminoso na maior parte das vezes e sempre impune, historicamente acolitadas pelos presidentes dos clubes, que as transformam em milícias privadas. Ou de tudo o que são as estratégias de comunicação que personagens verdadeiramente sinistras transformam em poderosas e perigosas máquinas de ódio e intolerância, não pode ter outra adjectivação que hipócrita.

O que aconteceu em Guimarães não pode deixar de ser exemplarmente punido pelas autoridades criminais e desportivas. Mas nada mais ficará se o que aconteceu em Guimarães, como já tudo indica, se ficar apenas por aí.

Recentemente um acórdão de um Tribunal da Relação referia que não se poderia levar à letra tudo o que se diz num campo de futebol. Que as expressões aí utilizadas não têm o mesmo contexto, e não podem produzir os mesmos graus de ofensa e culpa. Sabemos que sim, que não é necessariamente racista, ou homofóbico, cada um que num campo de futebol use expressões que para aí apontem. Completamente diferente é pegar nessas mesmíssimas expressões e dar-lhes forma de manifestação colectiva. É outra dimensão, e é esta que está em causa!

E que sem hipocrisias tem de ser parada. Porque a História já nos mostrou do que a natureza humana é capaz…

Até para a semana!

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