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Opinião de Eduardo Louro – Pobreza

Assinalou-se ontem o dia Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, data foi comemorada oficialmente pela primeira vez em 1992, com o objectivo de alertar a população para a necessidade de combater a fome e a pobreza, cuja erradicação constitui um dos oito objectivos do milénio definidos pela ONU em 2000.

Não é o sucesso ou insucesso destas datas comemorativas que me suscitam o tema. Estas datas são o que são e, se não resolvem os problemas que evocam, também certamente não lhe dificultam o combate. Servem acima de tudo para isto, para que se fale das coisas, para que, pelo menos num dia, falemos de problemas com que nos deveríamos preocupar todos os dias.

O problema da pobreza é, há-de ser sempre a mancha mais negra, e a nódoa mais resistente, do desenvolvimento da humanidade. E a desigualdade que lhe está associada a maior nota da incapacidade humana para harmonizar justiça e solidariedade com desenvolvimento.

A nível global, quando o universo estatístico é toda a humanidade, a pobreza está a diminuir a uma taxa sem precedentes. Em 1990, 43% da população mundial, pouco menos de metade, vivia em pobreza extrema, com menos de 1,25 dólares por dia. Actualmente esse número é de 21%, menos de metade.

Sabe-se que este é um resultado da globalização. É inequívoco que a deslocalização industrial, atrás de mão-de-obra muito mais barata, proletarizou centenas de milhões de pessoas nas regiões menos desenvolvidas do mundo, tirando-os da fome, mesmo pagando-lhes mal. Não é menos inequívoco, porém, que essa mesma deslocalização deixou, nos países que abandonou, nas regiões mais desenvolvidas, um rasto de desemprego e um lastro de miséria por onde a pobreza galgou, crescendo a um ritmo pouco diferente do da descida no polo inverso.

E esse é o maior drama do ocidente nos tempos que correm, com preocupantes reflexos políticos e sociais em sociedades, incapazes de responder aos complexos desafios dessa nova realidade e onde, acima de tudo, as pessoas estão indisponíveis para aceitar viver um pouco menos bem para que outros, do outro lado, possam viver um pouco melhor.

Até para a semana!

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