Opinião de Eduardo Louro Parolices e irresponsabilidade

Não sei, ainda não consegui perceber, se estamos cada vez mais perto de uma segunda vaga da covid, ou se, simplesmente, o vírus continua apenas a fazer o seu percurso, nunca interrompido.

Depois de semanas a crescer na grande Lisboa, em ambientes de degradação e precariedade, surgiram novos surtos noutras zonas do país, mas também com outro enquadramento. No Algarve, em Lagos, com origem numa festa clandestina. No IPO, em Lisboa. E em novos estabelecimentos para idosos noutras zonas do país, entre as quais a nossa, aqui em Aljubarrota.

Há países onde isso se distingue claramente, e outros onde nem sequer se pode falar de segunda vaga no ressurgimento do vírus. Na China, por exemplo, tudo parece apontar para o surgimento de uma segunda vaga, desta vez e ao que parece, prontamente enfrentada. Na Alemanha, o recrudescimento em curso está identificado em unidades de tratamento industrial de carnes, em trabalhadores do leste europeu de manifesta precariedade socioeconómica. Já na Nova Zelândia, semanas depois da irradicação do vírus, a fantástica primeira-ministra Jacinda Ardem teve de voltar a fechar o país perante o surgimento de umas centenas de novos casos. Mas não é uma segunda vaga, decorre apenas uma falha, de uma quebra nas regras e procedimentos em vigor quando, por razões humanitárias (vinham despedir-se de um familiar às portas da morte), os serviços do aeroporto permitiram a duas cidadãs britânicas, acabadas de chegar, que acedessem ao país antes de conhecidos os resultados dos testes. Estavam infectadas, e espalharam o vírus por onde passaram, atingindo três ou quatro centenas de pessoas.

É por isto, por tudo isto, que tenho alguma dificuldade em compreender a festa pimba e parola que anteontem aconteceu no Palácio de Belém, e que juntou o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-ministro, o Presidente da Câmara de Lisboa e o da Federação Portuguesa de Futebol, não para beberem uns copos, mas para anunciarem a realização dos jogos da Liga dos Campeões em Lisboa.

A parolice ainda percebo. A irresponsabilidade é que não. De todo!

Até para a semana!

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