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Opinião de Eduardo Louro – O negócio dos negócios

Esta foi a semana da Web Summit. Assim é há quatro anos, e assim será por mais nove. Pelo menos!

Não tenho dúvidas sobre a importância deste mega-acontecimento para o país. Acredito que o impacto económico directo no país cubra o elevado investimento público que representa, sem sequer haver necessidade de fazer contas aos ganhos indirectos de imagem e de reputação do país.

Nada do que diga a seguir colocará em causa o que acabei de dizer.

Dito isto, parece-me inegável que o maior certame mundial de tecnologia e empreendedorismo é, antes de mais, um negócio fabuloso do Sr Paddy Cosgrave e a redenção máxima do empreendedorismo moderno, na sua receita de visão de negócio e inovação, temperadas a preceito – qb – com um fiozinho de pantominice, preparada à parte.

O Estado português entrega-lhe as melhores instalações. Paga-lhe 11 milhões de euros por espectáculo, e oferece-lhe ainda milhares de voluntários, tantos quantos os necessários, ou mais ainda para, de borla, o servir uma plateia de 70 mil almas de todo o mundo, que pagaram pelo bilhete entre 8.500 e 25 mil euros. Acrescente-se-lhe o merchandising, com uma simples camisola fabricada na Irlanda a ser vendida por 850 euros. E uma promoção assegurada pelas caras que contam de todos os cantos do mundo e garantida, de borla, pela cobertura ao minuto de toda a comunicação social, ávida também ela de ser parte daquele todo que a deslumbra.

E tudo isto garantido por 10 anos!

Alguém consegue imaginar melhor negócio?

E o produto? O espectáculo, é de qualidade?

É verdade que tem aqui e ali alguma qualidade, como a abordagem à inteligência artificial e à humanização dos robots, ou aos riscos do desigual poder dos gigantes digitais. Mas na sua maioria é vulgar como a banha da cobra, com pouco mais que tentativas dar rótulo e embalagem de negócio às mais comuns das mais comuns ideias, em encenações a meio caminho entre um festival de Verão, com muita ganza, e uma assembleia evangélica em êxtase.

É assim, o negócio dos negócios… Parabéns Mr Cosgrave!

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