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Octávio Serrano – Uns grafitis bem pintados numa obra prima

Caros ouvintes, foi inaugurada em Leça da Palmeira a 15 de Dezembro ultimo, uma obra-prima muito controversa; consiste esta, numas vigas em ferro de formato I, normalmente usadas em construção civil; dispostas segundo a imaginação do autor do trabalho, o escultor Pedro Cabrita Reis; a forma apresentada, nada tem de esteticamente relevante; e realmente, penso, que se tem de estar muito pedrado, para conseguir imaginar o que tem tal escultura a ver com a linha do mar; mas nós bem sabemos, que só altas cabeças têm capacidade para vislumbrar certas coisas; gostaria de acrescentar que após quinze dias de exposição ao agressivo ambiente marítimo, a dita já apresenta sinais evidentes de ferrugem, pelo que, facilmente se depreende, que a “Obra prima” não foi beneficiada com o devido tratamento antioxidante; talvez por o orçamento ser insuficiente!
A citada obra prima, custou aos cofres do município, suportado pelos impostos e taxas dos contribuintes, a módica quantia de 250 mil euros, acrescidos de iva; já no período da sua adjudicação, apareceram cidadãos que protestaram civilizadamente em reunião camarária; mas claro que, as suas opiniões foram olimpicamente ignoradas; também nas redes sociais, as pessoas fartaram-se de reclamar; mas qual é o politico que liga a politiquices do Facebook? Agora, em cima do Ano Novo, vieram umas almas nocturnas e grafitaram aquela “coisa” toda! De vândalos e malandros, os alcunharam; queixa na polícia contra desconhecidos fizeram os políticos; pois não se faz, conspurcar uma obra de regime, de uma autarca, toda cheia de “poderes absolutos”! Mas fez-se! O povo, sem meios legais para se opor, terá todo o direito de expressar a sua revolta, da maneira que for!
Pois sem duvida se trata de uma duvidosa manifestação cultural; que se constituirá como um manifesto desperdício de dinheiros públicos; arrecadados à força de impostos; cobrados muitas das vezes a contribuintes, que têm de coartar as suas necessidades básicas pessoais, para poder pagá-los; portanto exige-se o mínimo respeito, pela forma como são gastos esses valores; bolas! Haja vergonha!
Toda a gente sabe, que uma parte dos nossos impostos são utilizados na  promoção de carreiras politicas, de políticos eleitos; situações escandalosas, não têm faltado, disseminadas por esse país fora; o que contribuiu deveras, para a bancarrota nacional e o exagerado déficit publico que possuímos; eu afirmo: deveríamos todos ter aprendido a lição de não desperdiçar dinheiro; incluindo a classe politica; assim tal não deveria voltar a acontecer; mas este escandaloso caso, da praia de Leça da Palmeira, e outros, dos quais vamos tomando conhecimento, leva-me a concluir que o desperdício de dinheiros públicos continua, a toda a força!
Como nos poderemos opor? Só vejo uma possibilidade! As populações organizarem-se civícamente, e exercerem controlo cidadão, sobre os actos de gestão publico dos autarcas, através da deliberação cívica; é manifesto, que não se pode esperar que as Assembleias Municípais o façam, pois têm maiorias politicas controladas de alguma forma pelos edis reinantes; por isso, essa pressão tem de ser exercida de fora; a figura que recomendo será a da constituição de painéis constituídos por cidadãos sorteados para o efeito; esta figura, já tem sido utilizada com bastante êxito em certos países mais evoluídos; dou o exemplo do Estado do Oregon, nos EUA; desta forma institui-se um contrapoder, que terá como missão, vigiar, controlar ou opor-se, a medidas da classe politica, que manifestamente prejudicam as populações; mas mais, dado o facto de que estas assembleias apenas possuíem poder deliberativo, poderão no entanto, ajudar a promover referendos locais, que decidam soberanamente sobre assuntos locais.
Claro está, que não haverá um único politico ou partido,  vencedores ou mesmo da oposição, que lhe agrade a existência de tal órgão de controlo; pois muito dificilmente o conseguiriam dominar; por isso, preferem como está; rédea solta no gasto de dinheiros públicos;  fiquemo-nos pois, por uma guerrilha de grafitis; limparam-nos! Talvez um dia destes, apareçam uns novos! Perante a vilanagem, há toda a legitimidade em o fazer!
Um bem hajam e uma boa semana!






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