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Octávio Serrano – A guerra do orçamento comunitário



Foi noticia recentemente; o nosso primeiro-ministro António Costa opôs-se em alto e bom som, à proposta do ministro finlandês, de reduzir as contribuições para o orçamento comunitário para 1% do Produto Nacional Bruto de cada país; quando até à data é de 1,16% do citado índice. Esta também é a proposta de alguns dos países mais desenvolvidos, como a Alemanha, a Áustria, a Dinamarca, a Finlândia e a Suécia. O que não  admirará; pois se trata de países, que pagam mais do que o que recebem, em termos fundos comunitários. Deverão pensar que o objectivo dos fundos estará cumprido; seria este, o de compensar os países europeus menos desenvolvidos, por terem escancarado as suas fronteiras ao domínio imposto pelos produtos industriais dos países mais ricos, em detrimento das industrias nacionais obsoletas e menos competitivas; ou de promover certos investimentos de nos países mais pobres, que permitissem grandes retornos financeiros às suas economias internas; dou como exemplo, os subsídios agrícolas estruturais, que por um lado permitiram  a modernização da agricultura dos países mais pobres, mas por outro lado permitiram o fornecimento massivo, pelos países mais ricos, de maquinaria agrícola, cujo mercado era e é dominado e imposto por esses países, proporcionando grandes lucros às suas industrias.
Esta atitude, é tanto mais gravosa, pelo facto, de que com o Brexit da Grã-Bretanha, o orçamento comunitário sofrer um grande rombo, no conjunto  das suas contribuições; ora o custo da máquina burocrática europeia, que alimenta os eurocratas de Bruxelas, não terá por certo um redução proporcional a esta perda de receita; donde sobrará menos dinheiro disponível para “distribuir” maná, pelos países mais pobres; logo proporcionalmente os fundos para a coesão europeia irão certamente reduzir-se.
À luz destes factos compreende-se a posição do Dr. António Costa; a perda de fundos estruturais irá afectar negativamente, o desenvolvimento e crescimento nacional; mas também irá afectar negativamente, aqueles investimentos da treta, que só servem para promover carreiras políticas de autarcas e governantes. Muitos deles, não trazem nada de nada, à capacidade do país ser competitivo e à promoção de criação de riqueza; dou como exemplo muita reabilitação urbana esbanjadora, subsidiada pelo CE, que não acrescenta nada de nada; a não ser o facto de serem eleitoralmente benéficas para quem as promove.
Ora é muito natural, que estes países que têm sido mais pródigos, pensem em reduzir as suas contribuições; o mercado único estará criado; a partir de agora será cada um por si; façam o favor de administrar melhor os vossos investimentos, que isto não é a “casa da sogra”; e todos sabemos, que as classes políticas de certos países, precisam urgentemente de frequentar dois tipos de cursos; uns de ética politica e económica; outros de administração publica séria.
E agora ponho uma grande questão! Valerá a pena, aos países da CE, mais débeis economicamente pertencer a uma Europa não solidária? Certamente que não! Valerá a pena, enquanto se receber mais do que o que se paga; quando esta situação se inverter, e alimentar os burocratas de Bruxelas se tornar um fardo, tudo se alterará; actualmente Portugal  paga à roda de 2 Biliões de euros e recebe 2,4 biliões de euros; a outros países mais pobres sucede o mesmo; a máquina de Bruxelas é paga pelos países mais ricos; afinal até está bem! Não são eles que mandam nisto tudo?
Os esforços do António Costa, e de outros primeiros ministros de países mais pobres, de manter as coisas como estão, serão a prazo infrutíferos; esta proposta de 1% do PNB, é um balão de ensaio;  vão seguir-se negociações, em que toda a gente terá de ceder; os países mais pobres e com dividas publicas mais vultuosas estarão sujeitos à chantagem dos países mais ricos; e tenho a certeza, que iremos ouvir no futuro da parte do nosso primeiro ministro, frases exclamatórias, em que se dá loas a grandes vitórias politicas alcançadas na Europa; vitórias de Pirro, em que se recebe o que os outros querem dar; mas há que manter as aparências, não é?
Um bem hajam e uma boa semana!






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